quinta-feira, 15 de março de 2007

Vida Simples...

Vivemos um momento contraditório. Humanamente contraditório.
As contradições e incoerências estão ai, para quem quiser ver e ouvir.
refiro-me a condição humana. Aos valores e princípios de respeito ao próximo ao nosso corpo e a nosso espírito.
Não sou uma pessoa religiosa ou seguidora de alguma crença mas acredito que necessitamos fazer o bem, ajudar e respeitar a todos se quisermos ter algo nessa vida e em qualquer outra que possa haver.
As inversões de valores que notamos todos os dias estão, dia após dia, superando-se. Hoje em dia o que importa é sucesso financeiro. Trocar de carro e sempre por outro mais luxuoso e maior é um sinal de que o sujeito está "bem".
Ter um apartamento mais bacana é quase que um emblema de que você é capaz, inteligente, profissional...Não há mais quase ninguém que deseje saber se você está em paz, com saúde e vivendo em harmonia com a familia a amigos. O que se ouve sempre é a pergunta: "Fulano está bem?" E esse "bem" é sempre no tocante ao aspecto material, como se isso fosse a única coisa que realmente importa.
Concordo que no sistema e mundo em que vivemos hoje é importante saber viver com dinheiro e com coisas materiais, mas creio que os limites já foram derrubados.
Um profissional não pode, contemporaneamente, desejar uma carreira pacata e horizontal. Ele precisa ser ganancioso e ambicioso o suficiente para competir, lutar, brigar e até matar (nem sempre metaforicamente) para poder subir de estagiário para analista, depois coordenador, gerente e assim por diante. O que se prega é um mundo de altos diretores, como se o profissional "padrão" fosse uma doença, um mal ao qual deve-se vacinar todos os meses.
Em todos os setores percebemos essas inversões. Ler os jornais ou assistir aos noticiários da tv é estar diante da paranóia, da imundice humana. Neto matando avô, criança de menos de dois anos sendo violentada e morta em uma igreja numa cidade pequena no interior do país, criança em idade primária sendo arrastada como se fora um "bang-bang" latino, namorados se matando após se drogarem, familias destruídas...esse é o nosso retrato? Parece que tem sido.
Hoje no café da manhã com minha namorada (aliás, devo aqui agradecer a Li por ter me ajudado a perceber o quão importante é um café da manhã com a mulher amada...) ela me contou sobre um executivo que resolveu ter uma vida mais simples. Vendeu o palacete e comprou uma casa "comum", vendeu 3 carros e ficou somente com um. Ao invés de 4 guarda-roupas abarrotados, resolveu que cada integrante de sua familia deveria ter apenas as roupas necessárias para se viver sem exageros. Não sei os meandros da história mas não me interessa. Seja por que for, é um exemplo a ser admirado e, por que não, seguido.
Será que precisamos de tanto luxo e de tanta ganância nessa vida? Precisamos de tanta grana assim pra viver? Não nos basta termos dinheiro suficiente para pagar nossas contas, alguns gastos ocasionais e termos mais saúde e tempo para compartilhar com quem amamos e que nos amam também?
Há cerca de um ano minha noção de qualidade de vida era uma. Confesso que tenho mudado minha maneira de pensar. Humildade não é defeito, pelo contrário. Não é burrice ser pacato. Errado é esse modelo que ai está, truculento, violento e desumano. Sei lá...acho que a humanidade em alguma esquina do tempo, tomou o caminho errado...

Para colocar um pouco de paz, toco um tema delicioso que poderia nos levar até a Lua, sem dúvida...Joe Henderson "rege" Fly Me to The Moon em seu tenor forte e suave, no contrabaixo Dave Holland coloca seu sotaque britânico, Art Blakey vigora na batera e TMonk nos leva as estrelas com seu piano voador...
Abro, simplesmente e sem pretensão, um delicioso Malbec Luigi Bosca importado de nossos "hermanos" e feito com muita simplicidade e honestidade.

Viva as coisas simples da vida...

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