sexta-feira, 23 de março de 2007

21 de Março

O post vem atrasado por causa de uma lombalgia que me tirou o sono a mobilidade e quase me tira o humor...


O dia 21 é um dia como outro qualquer, certo?
Errado.
Para mim é um dia especial
21 de novembro é o aniversário da minha querida namorada. Ah como eu amo essa menina que teima em ser cada dia mais linda.
21 de junho nasceu minha filhota (a mais velha, já que as outras vêm depois). Um dia para não ser esquecido jamais.
21 de Março. Esse dia pode ter mudado minha vida pra sempre...
A um ano, no dia 21 de março eu me encontrei com alguém e com algo que eu jamais havia me deparado.
O voo estava no horário (eu havia conseguido antecipar para um duas horas mais cedo) e eu estava ansioso. Não me sinto confortável em aviões...
Assim que a máquina voadora pousou, aquela sensação de alívio que sempre me afaga quando ouço o "rilinchar" da borracha no asfalto, não me tomou por inteiro. "Estranho" pensei....
Desci do avião e não reparei muito nos detalhes do aeroporto. Para mim são todos iguais.
Percebi apenas uma decoração de temas infantis onde pequenos desenhos colados nas paredes e chão mostravam pinturas e frases temáticas. Interessante...
Havia uma atmosfera de frio naquele dia. Não que o clima estivesse propriamente frio, não estava. Mas o céu cinzento, a garoa fina e o frio na barriga me faziam sentir como se estivesse desembarcado em Londres...
O taxi me levou ao hotel. Fugindo do trânsito pesado de fim de tarde e agravado pela chuva.
Estava adiantado.
Ao chegar no hotel, a constatação do emocional. Estava com as mãos suadas, fato raro. O estômago frio e a cabeça a mil.
Corta para 1989....
Fazia 17 anos que eu havia descoberto o amor. Era apenas um adolescente tentando escapar dos 15 anos para enfim me tornar "adulto" aos dezesseis e o cupido me flechou. Um namoro rápido, 4 meses apenas. Nada muito íntimo, para os padrões atuais. Ela era linda. Uma beleza deslumbrante. Cabelos pretos contrastavam com sua pele branquinha que era tingida por pequenas e maravilhosas pintas, dando a ela um ar meio selvagem, meio natural. Não era alta, nem era baixa. Era perfeita. Tinha as mãos de pianista e os olhos de investigadora. Seu sorriso era capaz de baixar minha guarda de criança em corpo de homem. Sua maturidade me impressionava e eu estava completamente apaixonado. Ela era a menina mais bonita da cidade...
Foi um namoro rápido mas uma paixão duradoura. Mesmo após quase 5 anos que não mais a via, ainda sentia saudades e sonhava com ela. Um sonho que foi se perdendo pela incredulidade, pela descrença e pelo sentimento material de impossibilidade.
O tempo apagou aquela paixão...pelo menos foi o que eu pensei...
Corta para 2006.
Me peguei olhando no espelho (fato um tanto raro para mim pois não há muito o que olhar...) e percebi que não era mais aquele menino que um dia sentiu-se completamente perdido e invadido por sentimentos diversos, distintos e confusos por uma garota que desfazia de mim.
Uma ligação e poucas palavras trocadas selaram meu destino.
Dali duas horas eu a encontraria. Não a minha namoradinha de 17 anos atrás mas, uma mulher que eu não conhecia. Sim, já havíamos conversado por diversas horas em telefonemas, cartas eletrônicas e chats que me deixavam confusos e animado ao mesmo tempo.
Banho tomado, barba feita, roupa desamassada da viagem e o coração a milhão.
20:35 eu estava no bar do hotel tomando, pasmem, uma dose de burbon. Precisava descontrair. Era meu primeiro encontro com alguém que definitivamente não conhecia, embora já tivesse a encontrado inúmeras vezes no passado.
Ela adentrou no hotel flutuando. Não parecia pisar o chão. Sei que parece frase feita mas foi o que percebi naquele momento. Mesmo à distância pude perceber seu perfume, e o constatar quando nos abraçamos. Não sei como mas senti o perfume antes mesmo de chegar mais próximo dela.
Aquele sorriso quase me fez bater os joelhos. Sentia meu coração pulsando velozmente. Era uma sensação incrível e la estava eu, novamente diante daquele olhar, daquele sorriso, daquelas mãos...Sentir novamente seus beijos não era algo que eu, sinceramente, podia ter afirmado algum tempo antes. Ah, mas como foi bom....
Não sabia o que dizer ou o que fazer. Fazia 17 anos que não sentia aquilo e meu corpo todo pulsava por aquela mulher.
Um ano se passou daquela noite e ainda sinto meu peito bater quando a vejo sorrir ou quando seguro suas mãos. É a mulher da minha vida e nesse 21 de março faz um ano que me apaixono por essa menina linda.
Tanta coisa aconteceu nesse ano, coisas fortes, fortíssimas as vezes e permanecemos juntos, mesmo contra todas as expectativas, ou contra algumas pelo menos.
Eu amo essa "coisinha" linda e que me faz ser mais, sentir mais e amar mais e mais.
Um ano é muito pouco, mas é um símbolo de uma vida que está apenas começando. Uma vida a dois onde somos muito mais do que isso. Somos uma multiplicidade de coisas e sentimentos e emoções. Que venham os outros anos, todos os que tivermos direito.
Viva a vida!!!!

Nessa ocasião, abro um espumante brut para celebrar. Depois abro uma garrafa de um belíssimo Borgonha que irá nos acompanhar ouvindo John COltrane e sua trupe tocando summertime, já que nos despedimos do verão nessa data...Depois, ouvimos Autumn Leaves, para celebrar a nova estação....com muito amor e muita emoção...

Nenhum comentário: