sexta-feira, 9 de março de 2007

Dábliú Buchi

Dizem as más linguas que o presidente que está nos visitando (ninguém sabe direito o porque mas o motorista "adorou" o trânsito da cidade) é meio chegado em um aperitivo, ou até em umas e outras. Há quem diga que na verdade ele é o maior páu d'agua da paróquia, que o negócio dele é 51 pura e sem limão.
Entendam o seguinte. Há alguns anos, a outra grande república, a Russia, era governada por um digno cidadão, pai de família, avô de familia, boa praça, torcedor fanático do Dínamo. Mas como ninguém é perfeito, ele tomava umas vodkas no fim do dia. O problema é que com o avançar da idade, o dia para ele tinha apenas 20 minutos.
Todo mundo sabe, que a guerra fria de fato, de fato mesmo, ali no certo, sempre esteve meio morna. Mas os governantes contemporâneos souberam manter uma disciplina que evitava a destruição do planeta em 7 segundos.
O problema teria ocorrido (ninguém confirma oficialmente, mas uma fonte minha do pentágono me diz ser verdade verdadeira) quando o presidente que aqui está agora, o visitou alguns anos atrás. A confusão estava armada.
Imaginem uma visita cordial do Tio Sam à Europa, onde passaria o final de semana em uma bela estância nevada ao norte de Moscou, a convite do presidente russo.
Até aí, nada demais. O final de semana começaria em bom astral. As pistas de esqui estavam ótimas, o clima bom, o céu em um azul de brigadeiro. Tudo perfeito.
O Tio Sam levou junto consigo seus três netos além da força secreta disfarçada de renas soviéticas.
Do lado da Russia, além do presidente foram uma neta e dois sobrinhos netos representar a juventude do leste europeu. Tudo muito tranquilo. Passam o dia esquiando, falando banalidades. As crianças fazem bonecos de neve e brincam de atirar chumbinho em algumas renas que insistiam permanecer por perto. Muito chocolate quente, muito milho e batata cozidos.
No sábado, a discórdia começa a aparecer. O tempo virou e uma grande tempestade de neve assola o acampamento. Não é possível sequer tirar o pé da cabana. Sem ter o que fazer, e tendo em vista que as primeiras damas não foram e que as bailarinas do balet Putirkov não aceitaram o convite em virtude do cachê, os chefe de Estado começaram a beber.
Tentando esconder o vício um do outro, o anfitrião começa.
- Bem camarada, vamos tomar um conhaque para aquecer esses velhos ossos?!
- Sim, claro, um copinho nunca fez mal a ninguém. ( seus olhos brilham!)
Os dois brindam a paz mundial.
- Strotzen prosit!
- Cheers!
Em um único gole esvaziam seu copos.
- Acho que mais uma dose vai bem, certo.
- Ë claro que eu to a fim!
Outra dose é derramada nos copos, desta vez mais generosa.
- Ao fim da guerra
- Yes!
Masi uma vez o copo se esvai de uma só tomada
- Mandei trazer esse aguardente direto de Cognac. Esses franceses são meio esquentadinhos mas sabem fazer uma boa birita, digo bebida.
- Tem razão. Aliás, eu aceito mais um pouco
O russo levanta-se de sua cadeira e meio cambaleante pensa : “esse americano vai acabar com meu estoque”. Enchidos os copos até a boca, os donos do mundo elevam seus vasos transbordantes e mais uma vez brindam. Mas desta vez é o representante americano que toma a iniciativa.
- Que se dane a paz. A nós dois, os verdadeiros próceres mundias. (pelo menos de minha parte)
- Strubleizz!
- Hã
- Harmarzz!
- Ok. Ok.( o que esse boçal está dizendo)

Neste momento uma das crianças americanas olha e diz:
- Hii, o vovô está chamberlein
A menina russa responde:
- Quem o seu avô está imitando eu não sei, mas o meu está de fogo.

Passadas algumas horas e cinco garrafas de conhaque, os líderes nacionais estão sentados cada um em uma poltrona e de dedo em riste, desafiando a autoridade do outro.
- Vocês americanos pensam que são os donos do mundo! Inventaram a tal da globalização e agora não tem mais controle sobre ela.
- Nós temos o controle sobre tudo e sobre todos! Ops! Quero dizer, simbolicamente.
- O seu país não vale nada, não tem nem comida direito. Da última vez que lá estive comi hamburguer, onde já se viu uma nação onde não há um prato típico.
- A é!
- É
- Pois o seu país tem muitos pratos típicos, mas ninguém tem dinheiro para fazê-lo e muito menos comprá-lo.
- Culpa dessa porcaria que vocês inventaram de nome capitalismo.
- Nós não inventamos nada!
- Isso é verdade, voces não têm capacidade. Aceita outro copo?!
- Sim, por favor.
- ...
- Voces não sabem nem beber direito, é só cerveja, e quente!
- E vocês só tomam vodka barata nacional, e esse conhaque não veio de Cognac coisíssima nenhuma, no maxímo, foi comprado em alguma esquina de Kiev, e bem barato ainda.
- Agora você me ofendeu.
- Se quiser vir pode vir, mas vem mesmo!

As crianças assistem tudo em silêncio. Derrepente, o garoto americano mais velho com cara de bonzinho e sardas no rosto, puxa o cabelo da menina decendente de Stalin. Os do meio tacam sujeira de nariz um no outro. Os mais novos abrem a boca e começam a chorar estridentemente. O caos esta armado. O ambiente está pesadíssimo. As crianças choram compulsivamente. Os dois senhores já estão para se pegar, e só não o fizeram ainda porque estão incapacitados de levantar das poltronas onde afundam-se cada vez mais.
- Está vendo só que você fez! Americano de uma figa, agora as crianças estão chorando e brigando assustadas.
- Eu fiz!? Você está mesmo caduco. Eu só estava tomando essa porcaria aqui quando você começou a me injuriar.

As crianças choram cada vez mais e os velhos estão se atacando com pedaços do estofamento das poltronoas já que ninguem teve coragem de atirar os copos.
- Onde estão as mães desses pestinhas que não aparece?
- Não disse que está caduco! Eles vieram sozinhos.
- Essa liberdade. Bem se sabe que isso é coisa de americanos. Na mãe Russia não existe isso.
A situação cada vez pior vai tornando-se insustentável e o lider yank ameaça sacar de seu celular verde e mandar o pentágono atacar o leste europeu inteiro. Ao que reage o chefe vermelho.
- Faça isso e eu ordeno o kremlin ativar os mísseis nucleares e acabo com aquele seu país metido a besta.
- Aaaah! Então aquela história de desarmamento era só lorota. Eu devia ter desconfiado.
- Só não desconfiou porque é um otário. E bêbado.
- Eu não sou bêbado.
- Alguém por favor quer mandar matar essas renas idiotas que estão batendo na janela com um walk-tlak na mão.

Ao dizer isto caiu em sono profundo, não se sabe se por causa da bebida ou pela visão de uma rena falando em um rádio transmissor. Logo em seguida o outro também desmaiou. As crianças continuam chorando.

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