Seo Fonseca era aposentado do Exército. – REFORMADO – gritava ele – REFORMADO!
Seus netos não entendiam como uma pessoa poderia ser reformada, embora existam muitas técnicas de lipo e plásticas, reformas não. Mas seo Fonseca era uma pessoa exigente e não admitia um erro desses, muitas vezes ele perdia a calma a tal ponto que ele só parava quando seu filho Batista lhe segurava ou quando sua dentadura escapava-lhe à boca.
O problema é que certa vez a dentadura caiu no colo da namorada do neto mais velho, e mordeu as partes pudentas da menina, foi um horror, seu Fonseca esbravejava, a menina gritava, o cachorro latia, não, não havia cachorro algum. Batista, o filho, tentava acalmar o pai, e o neto escondeu-se embaixo do sofá. Foi uma confusão, e até hoje no bairro quando se passa ao lado da menina se diz, “olha a menina que levou uma mordida do seu Fonseca”. Uma vergonha.
Seo Fonseca já passava dos oitenta mas aparentava somete uns sessenta. Ereto – as costas – sempre de barba feita e cabelo raspado, tinha uma familia comum que morava em um bairo comum de uma, bem, voces já sabem. O problema é que seo Fonseca era integrante de uma sociedade anonima, não uma S/A., uma sociedade secreta, daquelas de filme mesmo. A sociedade era formada inicialmente por 15 integrantes mas, hoje só sobreviviam seis. Seo fonseca era o mais moço e por isso, lhe davam as missões mais pesadas como carregar o candelabro com as velas acesas.
As reuniões da SSBP – Sociedade Secreta do Bairro Perroca – ocorriam todas as quartas-feira no porão da casa do Gen. Olegário, sempre à luz de velas.
O porão era simples, pois um dos lemas da SSBP era “não à ostentação!”. Possuia uma mesa octagonal e vários candelabros para as velas. Nas parede havia a cabeça de um ornitorrinco empalhada (siímbolo da sociedade).
A SSBP tinha como objetivo salvar o mundo dos invasores espaciais que ameaçavam invadir a terra a qualquer momento.
Cada reunião começava com um ritual simples e rápido onde bebiam seiva de mariposas e cantavam o hino do Juventus. Após esse prefácio, tinha início a reunião.
Entretanto, naquela noite uma grande tempestade pairava sobre o Perroca. Estrondos de trovões e flashes de raios e relâmpagos invadiam o ambiente. Quando o ancião ia iniciar a reunião, um raio entrou pelo encanamento da pia e acertou diretamente a peruca do Major Suzano e ricocheteou nas medalhas do Tenente-Coronel Juvenal. Ainda soubrou algumas fagulhas para o Capitão Sinval que por pouco não engoliu sua ponte.
O pandemônio estava instaurado. Os Ssbpianos ficaram apavorados e corriam em volta da mesa fugindo do raio que não encontrava saída para ir embora. As pupilas do Juvenal brilhavam cada vez que ele piscava. A peruca do Suzano ficou encandecente e indecente. O G. olegário gritava a todo pulmão que era o fim e abraçava-se ao Coronel Lindolfo que tentava disfarçar uma certa satisfação com o afago.
E o raio a chicotear e desmoralizar os nobres militares até que do nada sumiu. Todos ficaram atônitos e até o Seo Fonseca, que nunca se abalava, começou a soluçar lá em cima do lustre onde estava pendurado. Aos poucos foram se acalmando e voltando ao normal, o Gen. Olegário relutou mas concordou em soltar o Cel. Lindolfo que fazia um afago na careca do colega. Derrepente, um tremor e o porão explodiu. Voou patentes por todo o bairo mas misteriosa e milagrosamente Seo Fonseca não morreu. No dia do enterro (colocaram as medalhas nos feretros) todos olhavam espantados para o velho Fonseca. Ele ainda mantinha a postura ereta, mas, nunca mais foi o mesmo.
Para as coisas que insitem em permanecer, abro um "Chateauneuf du Pape" que insiste em permanecer bom, seja qual for sua safra...Coloco uns "jovens" cubanos a tocar seu som contagiante e absolutamente lindo...Compay Segundo e sua voz rouca nos encanta com seu "Amor de loca Juventud" e em seu tresero (espécie de violão criado por ele mesmo), Ruben Gonzales mostra o seu fascinante piano, Eliades Ochoa segura com vitalidade o violão cubano, Omara Portuondo tem uma voz incrível, Barbarito Torres nos apresenta seu alaúde cubano é algo a ser ouvido sempre...
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