Quinta-feira...
Hoje é dia do "Meu tipo inesquecível..." Algumas pessoas leram meu blog (incrível, eu achei que só eu lia...) e me mandaram alguns mails (foram 3 na verdade) falando sobre a postagem de Meu tipo inesquecível. Gostaram da idéia e sugeriram que eu criasse um espaço periódico com esse sub-título. Gostei e resolvi que nas quintas-feiras irei tentar escreve sobre pessoas que me marcaram e que eu admiro muito. Assim, hoje é dia do "Meu tipo inesquecível..."
Não dá pra falar em alguém inesquecível apenas porque a pessoa já não está mais entre nós. Não quero transformar isso aqui em uma caixinha mortuária de saudosismo. Pretendo lembrar de pessoas que me são importantes independente do pulsar de suas veias atual.
Quando eu me mudei para São Paulo tudo aqui era estranho, monstruosamente estranho. O trânsito, as pessoas, a correria o medo da violência. Tudo assustava e me faziam questionar se valeria a pena investir meu tempo e minha vida para tentar a realização profissional aqui. Lutava sozinho, eu pensava e assim achando, fui criando "cascas" de proteção e gerando temores desnecessários. Tanto stress acabou fazendo meu coração disparar e me fazer pensar que ia morrer no meio da rua e ser jogado em um canto como um "sem nome". Foi ai que a figura de meus pais apareceu. Ligava pra casa pra dizer que estava tudo bem e eles conversavam alguns minutos comigo, sempre me animando e passando sobriedade. "São Paulo acaba se tornando pequeno filho, você vai ver. No fundo é o seu bairro, seus vizinhos, as praças, e você estará em casa..." dizia meu pai. "Quando seu avô era moço ele ia em tal lugar..." animava minha mãe. Sempre me tranquilizando e dizendo que tudo iria dar certo. Assim foi e é (graças a Deus!!!) meu pai e minha mãe. Simples, tranquilos, serenos. Meu pai apressado e pontual como poucos, é verdade. Afobado para fazer as coisas rapidinho, sabe-se se lá porque. Minha mãe perfeccionista e talentosa como ninguém. Os vestidos que faz para minha Luiza são um coisa...
Há quase dez anos eu tive um problema indefinido de saúde. Um dia, estava trabalhando e deixei de sentir o lado direito de meu corpo. Após uma batelada de exames, detectou-se um cisto na minha cabeça. Não souberam dizer ao certo o que seria o corpo estranho alojado na parte traseira do lado esquerdo de meu cérebro. Não sei dizer exatamente a sensação que tive ao saber daquilo mas o olhar calmo e sereno de meu pai ao ouvir do médico o seu parecer me tranquilizou. Ele apenas sorriu tranquilo e disse que tudo ia ficar bem e que era só fazer o que os médicos diziam. Após um chato tratamento a base de cortisona e outras coisas que não me lembro eu estava desanimado pois o quadro ainda não se revertera e ai apareceu meu pai de novo."Você não se preocupe, fica tranquilo que daqui a pouco você estará novo em folha...". E após essas palavras ele e minha mãe me disseram que tinham comprado uma passagem para Campo Grande. Eu deveria descansar um pouco e minha tia, médica e incrível personalidade, estava me esperando para umas "férias" com eles lá. Eu não tinha dinheiro nem pra pagar a faculdade direito e com os gastos extras em medicamentos não imaginava como seria possível viajar naquele momento. Pois fui. Consegui 15 dias de licensa, ganhei a passagem e lá fui eu. Após duas semanas, me sentia vivo novamente. O olhar e o carinho de meus pais me fizeram encarar aquilo apenas como uma dificuldade momentânea e que em breve estaria tudo bem. Minha mãe, bastante religiosa, diz ter feito calos nos joelhos em seus momentos de prece e hoje conta orgulhosa de que presenciou um milagre. O fato é que depois de 8 meses o tal cisto sumiu, desapareceu de meu cérebro, para espanto do neurologista que me atendia.
Foram momentos tensos esses também, mas eles estavam lá. Meus pais, com seu carinho, seu amor e sua sabedoria. São um exemplo a serem seguidos, como pessoas honestas e íntegras que são. Como seres humanos, falhos e verdadeiros e especialmente como pais que criaram 3 filhos e ainda lutam com problemas que eles nem precisavam mais se importar.
Quando meu pai perdeu o emprego (após 25 anos de bons serviços prestados) para nunca mais conseguir um serviço formal. Eles conseguiram manter a família unida e com muita força, passaram pelos momentos mais tristes na vida material quando pais que vêem seus bens e o pouco patrimônio que amealharam serem pilhados por pessoas em quem confiaram demais. Pois eles passaram por isso. Souberam humildecer e encontrar prazer nas coisas mais simples e desprezar a soberba de falsos amigos. Por tudo isso e muito mais que não escrevi ainda aqui, eles são os meus tipos inesquecíveis dessa semana.
Para eles, por eles, abro um Brunello de Montalcino dos talentosíssimos Frescobaldi e coloco para tocar Chick Corea no piano, John Patittuci no baixo, Wayne Shorter no sax e Freddie Hubbard no trumpete. Muito bom...
quinta-feira, 29 de março de 2007
Risoto de Pêra com Gorgonzola
Ingredientes:
Duas xícaras de arroz arbório;
1 dente de alho;
1/2 cebola pequena ralada;
200gr de gorgonzola;
1 pera d'agua;
1/2 xícara de pinholi ou snoubar;
1 litro de caldo de legumes;
50gr de mateiga;
1 copo de vinho branco seco;
Modo de preparo:
Refogue o alho e a cebola em metade da manteiga. Adicione o arroz e após refogar por alguns minutos, adicione o vinho. Deixe que o álcool evapore e va adicionando o caldo de legumes com calma, sempre mexendo bem. Quando estiver quase pronto, adicione as peras cortadas em tiras e sem a pele. Mexa mais um pouco e adicione uma concha mais de caldo. Coloque por fim o gorgonzola e termine com o resto de caldo. Mexa até reduzir todo o caldo e no final adicione o resto da manteiga. Tampe a panela por alguns minutos e sirva.
Esse risoto me remete a uma noite muito especial pois foi o primeiro jantar que me meti a fazer para minha namorada LI_nda. Feito com muito carinho e atenção nos detalhes, acho que consegui superar meu primeiro teste diante daquela que foi se tornando a mulher da minha vida. Muito bom...Depois do jantar um violãozinho para embalar a noite...
Para acompanhar eu abro um Don Maximiniano, direto do Aconcágua para nosso deleite, uma especialidade...Coloco para tocar Stan Getz no tenor, Chet Baker no trumpete, Gerry Mulligan no barítono,Bob Whitlock no contrabaixo, Chico Hamilton na bateria, tocando um clássico da Bossa Nova, Corcovado..."um cantinho e um violão..."
Duas xícaras de arroz arbório;
1 dente de alho;
1/2 cebola pequena ralada;
200gr de gorgonzola;
1 pera d'agua;
1/2 xícara de pinholi ou snoubar;
1 litro de caldo de legumes;
50gr de mateiga;
1 copo de vinho branco seco;
Modo de preparo:
Refogue o alho e a cebola em metade da manteiga. Adicione o arroz e após refogar por alguns minutos, adicione o vinho. Deixe que o álcool evapore e va adicionando o caldo de legumes com calma, sempre mexendo bem. Quando estiver quase pronto, adicione as peras cortadas em tiras e sem a pele. Mexa mais um pouco e adicione uma concha mais de caldo. Coloque por fim o gorgonzola e termine com o resto de caldo. Mexa até reduzir todo o caldo e no final adicione o resto da manteiga. Tampe a panela por alguns minutos e sirva.
Esse risoto me remete a uma noite muito especial pois foi o primeiro jantar que me meti a fazer para minha namorada LI_nda. Feito com muito carinho e atenção nos detalhes, acho que consegui superar meu primeiro teste diante daquela que foi se tornando a mulher da minha vida. Muito bom...Depois do jantar um violãozinho para embalar a noite...
Para acompanhar eu abro um Don Maximiniano, direto do Aconcágua para nosso deleite, uma especialidade...Coloco para tocar Stan Getz no tenor, Chet Baker no trumpete, Gerry Mulligan no barítono,Bob Whitlock no contrabaixo, Chico Hamilton na bateria, tocando um clássico da Bossa Nova, Corcovado..."um cantinho e um violão..."
sexta-feira, 23 de março de 2007
Meu Tipo Inesquecível
Meu avô não era exatamente o esteriótipo do "vovô" quase angelical que se têm comumente.
Tive a sorte de ter tido, durante um período curto é verdade, os 4 avós em convívio.
Meu avô materno era, esse sim, a figura doce que se pode imaginar quando se fala de um avô.
Por pouco mais de 10 anos eu fui brindado com sua convivência. Ah, como era prazeroso visitá-lo na longínqua Campo Grande.
Mas hoje vou falar de meu avô paterno.
Figura singular na familia, eu exagero e chego a dizer que na humanidade, por que não?
Personalidade exagerada, firme, forte. Culto como poucos, ou talvez o mais culto ser com quem já tenha conversado.
Imigrante italiano, seguiu aqui no Brasil o caminho contrário dos imigrantes. Não foi para a roça cultivar café e fazer fortuna, mas, em um mosteiro no Rio Grande aprendeu o português, aperfeiçoou o Latin o Francês, linguas que mais tarde foram se juntar a outras as quais ele dominava como se fosse nativo. Era um incrível poliglota de 8 idiomas, 9 talvez...
Sua cultura não era apenas na liguística. Professor graduado que se tornou, andou pelos caminhos da matemática para mais tarde ensinar quase meia Bauru as operações aritiméticas. Trilhou outros caminhos do saber. Formou-se filósofo (que coisa rara e estranha de se dizer...) e filosofou por algum tempo. Doutourou-se em outros temas.
Conheceu parte da história por ter vivido essa história. História de guerras mundiais, revoluções e evolução que ele acompanhou sempre com olhar atento. Formou e informou muita gente e virou nome de faculdade, ruas e avenidas no interior do Paraná e de São Paulo. Pouco, na minha opinião, mas muito se verificarmos o descaso com os heróis que esse país produz e não dissemina.
Professor Aníbal! Era assim que lhes chamavam. Não eu, para mim era o Vô Aniba.
Era uma figura contraditória para mim. Todo mundo dizia "temê-lo" por sua veemência e rigidez. Era severo com seus pupilos, mas eu nunca o vi assim. Era um "molecão" aos sessenta, setenta e quase aos oitenta. Doce e dócil comigo.
Brincalhão e enérgico sempre. Nunca deixou a peteca cair.
Aos 18 anos fui estudar em Bauru. Naquela época eu não sabia direito o que era estudar ou como estudar. Apenas passei nos vestibulares e no de Direito, em Bauru, eu resolvi seguir e ingressar na faculdade. Eu morava em um prédio antigo no centro velho da cidade. Era um apartamento espaçoso em cima de uma agência bancária e da janela da área de serviço eu podia avistar os fundos da construção ao lado, que na frente abrigava um bar antigo - Bar 1° de Agosto - e nos fundos "escondia" uma cancha de bocha. Era possível ouvir, por volta das 3 da tarde, os gritos dos senhores, geralmente descendentes de italianos, ao redor da cancha. Algumas vezes eu olhava pra baixo e la estava meu avô. Camisa xadrez, o cucuruto avermelhado aparecendo pelo ralo dos cabelos. Me arrependo de não ter descido tantas vezes o visse para poder tomar uma cerveja com ele e dar risada de suas piadas.
Alguns dias da semana eu ia almoçar em sua casa. Após a aula de manhã, eu pegava carona com algum amigo e me dirigia para as Nações Unidas 1441.
Após o almoço (sempre muito gostoso que minha avó preparava com carinho) me sentava com ele na sala de TV e assistia algum noticiário esperando ouvir dele algum comentário inteligente, que sempre vinha.
Meu avô gostava das coisas simples da vida. Nunca se preocupou em enriquecer sua conta bancária além do necessário para pagar as contas e o estudo de seus filhos. Seu bem estar era de fácil satisfação. Tinha sua casa, simples mas confortável, paga (a duras penas é verdade, e com ajuda de meu pai). O seu velho Corcel II 82 era sua preciosidade. Cuidava-o como se fosse realmente um animal de raça. A catarata lhe tomou uma das vistas, mas para alguém como ele, apenas uma das vistas era o suficiente para dirigir seu "carrão" pelas ruas e estradas.
Por volta das 5 da tarde ele me convidava para ir la tomar uma cerveja gelada. E eu ia, mas poderia ter ido mais vezes. Não fui por essas crueldades da vida que nos afasta das pessoas mais velhas quanto somos muito jovens para saber que eles são aquilo que passaremos a vida toda buscando ser.
Hoje quando penso em uma vida feliz, me vem a mente a vida de meu avô.
Consumiu muito mais livros do que modas passageiras. Sorveu mais a essência da vida nos seus meandros cotidianos, nas conversas nos bares honestos e padarias que não existem mais, do que na malícia diária e devoradora que nos aplaca todos os dias. Pôde realizar o sonho de um dia voltar ao seu país natal levando minha vó junto e por lá reencontrou irmãos, primos e tios, além das vilas, caminhos e estrelas que um dia ele deixou pra trás buscando sobreviver.
Suas conversas eram divertidas, sinceras, honestas e claras. Não tinha firulas e não fazia de sua alta cultura um objeto de empáfia. Ao contrário. Com ele aprendi a dar gorjeta nos postos de gasolina. A convidar os carteiros a beber um gole de de café e um copo d'água.
Aprendi que se pode dormir nas missas sem que isso seja pecado. Descobri que devemos ser dignos e que a honra está não na valentia, mas na manutenção de seus princípios.
Seu legado? Acredito ser o melhor e mais bonito que se possa ter. Muitas foram as vezes que ouvi alguns parentes (serpentes!) o criticarem por não ter se engajado na política ou na posição de reitor, sócio ou proprietário de faculdades. Não sabem eles que o seu amor, o seu tesão era ensinar, dar aulas, dentro e fora das classes. Nunca quis ser político porque não era sua índole enriquecer as custas dos outros. Não era sua obrigação deixar herança em dinheiro a ninguém. Deixou sim uma lembrança digna e uma história linda que um dia pretendo contar para meus filhos.
Hoje quando olho para meu pai brincando com minha filha ou minha sobrinha, de certa forma vejo ali o "espírito" do vô Aniba. Sério porém brincalhão. Fazendo piadinhas com as crianças e com os adultos, sem ser incoveniente.
Levando a sério a vida, mas sem deixar de achar graça nas coisas que são engraçadas.
A convivência com meu avô me foi a maior aula de humanidade, história, civilidade e educação que eu posso imaginar que alguém possa ter.
Me lembro que no dia de seu velório eu não consegui chegar muito próximo de seu corpo. Minhas lágrimas não me deixavam se aproximar daquele que fora meu herói e, heróis não morrem. Tenho certeza de que aquela foi apenas mais uma brincadeira, que ja dura mais de 10 anos e que hoje ele deve estar ensinando outras crianças e jovens por esse mundo afora.
Para esse momento de saudades, abro um vinho simples, mas honesto e produzido pelas origens de meu avô. Um Barbera D'Asti, perfeito. Coloco o Miles Davis tocando "Someday my Prince will come" com ele no trumpete, Ron Carter no Baixo, Evans no piano. Apenas os 3 dessa vez, para que o som seja mais puro.
Tive a sorte de ter tido, durante um período curto é verdade, os 4 avós em convívio.
Meu avô materno era, esse sim, a figura doce que se pode imaginar quando se fala de um avô.
Por pouco mais de 10 anos eu fui brindado com sua convivência. Ah, como era prazeroso visitá-lo na longínqua Campo Grande.
Mas hoje vou falar de meu avô paterno.
Figura singular na familia, eu exagero e chego a dizer que na humanidade, por que não?
Personalidade exagerada, firme, forte. Culto como poucos, ou talvez o mais culto ser com quem já tenha conversado.
Imigrante italiano, seguiu aqui no Brasil o caminho contrário dos imigrantes. Não foi para a roça cultivar café e fazer fortuna, mas, em um mosteiro no Rio Grande aprendeu o português, aperfeiçoou o Latin o Francês, linguas que mais tarde foram se juntar a outras as quais ele dominava como se fosse nativo. Era um incrível poliglota de 8 idiomas, 9 talvez...
Sua cultura não era apenas na liguística. Professor graduado que se tornou, andou pelos caminhos da matemática para mais tarde ensinar quase meia Bauru as operações aritiméticas. Trilhou outros caminhos do saber. Formou-se filósofo (que coisa rara e estranha de se dizer...) e filosofou por algum tempo. Doutourou-se em outros temas.
Conheceu parte da história por ter vivido essa história. História de guerras mundiais, revoluções e evolução que ele acompanhou sempre com olhar atento. Formou e informou muita gente e virou nome de faculdade, ruas e avenidas no interior do Paraná e de São Paulo. Pouco, na minha opinião, mas muito se verificarmos o descaso com os heróis que esse país produz e não dissemina.
Professor Aníbal! Era assim que lhes chamavam. Não eu, para mim era o Vô Aniba.
Era uma figura contraditória para mim. Todo mundo dizia "temê-lo" por sua veemência e rigidez. Era severo com seus pupilos, mas eu nunca o vi assim. Era um "molecão" aos sessenta, setenta e quase aos oitenta. Doce e dócil comigo.
Brincalhão e enérgico sempre. Nunca deixou a peteca cair.
Aos 18 anos fui estudar em Bauru. Naquela época eu não sabia direito o que era estudar ou como estudar. Apenas passei nos vestibulares e no de Direito, em Bauru, eu resolvi seguir e ingressar na faculdade. Eu morava em um prédio antigo no centro velho da cidade. Era um apartamento espaçoso em cima de uma agência bancária e da janela da área de serviço eu podia avistar os fundos da construção ao lado, que na frente abrigava um bar antigo - Bar 1° de Agosto - e nos fundos "escondia" uma cancha de bocha. Era possível ouvir, por volta das 3 da tarde, os gritos dos senhores, geralmente descendentes de italianos, ao redor da cancha. Algumas vezes eu olhava pra baixo e la estava meu avô. Camisa xadrez, o cucuruto avermelhado aparecendo pelo ralo dos cabelos. Me arrependo de não ter descido tantas vezes o visse para poder tomar uma cerveja com ele e dar risada de suas piadas.
Alguns dias da semana eu ia almoçar em sua casa. Após a aula de manhã, eu pegava carona com algum amigo e me dirigia para as Nações Unidas 1441.
Após o almoço (sempre muito gostoso que minha avó preparava com carinho) me sentava com ele na sala de TV e assistia algum noticiário esperando ouvir dele algum comentário inteligente, que sempre vinha.
Meu avô gostava das coisas simples da vida. Nunca se preocupou em enriquecer sua conta bancária além do necessário para pagar as contas e o estudo de seus filhos. Seu bem estar era de fácil satisfação. Tinha sua casa, simples mas confortável, paga (a duras penas é verdade, e com ajuda de meu pai). O seu velho Corcel II 82 era sua preciosidade. Cuidava-o como se fosse realmente um animal de raça. A catarata lhe tomou uma das vistas, mas para alguém como ele, apenas uma das vistas era o suficiente para dirigir seu "carrão" pelas ruas e estradas.
Por volta das 5 da tarde ele me convidava para ir la tomar uma cerveja gelada. E eu ia, mas poderia ter ido mais vezes. Não fui por essas crueldades da vida que nos afasta das pessoas mais velhas quanto somos muito jovens para saber que eles são aquilo que passaremos a vida toda buscando ser.
Hoje quando penso em uma vida feliz, me vem a mente a vida de meu avô.
Consumiu muito mais livros do que modas passageiras. Sorveu mais a essência da vida nos seus meandros cotidianos, nas conversas nos bares honestos e padarias que não existem mais, do que na malícia diária e devoradora que nos aplaca todos os dias. Pôde realizar o sonho de um dia voltar ao seu país natal levando minha vó junto e por lá reencontrou irmãos, primos e tios, além das vilas, caminhos e estrelas que um dia ele deixou pra trás buscando sobreviver.
Suas conversas eram divertidas, sinceras, honestas e claras. Não tinha firulas e não fazia de sua alta cultura um objeto de empáfia. Ao contrário. Com ele aprendi a dar gorjeta nos postos de gasolina. A convidar os carteiros a beber um gole de de café e um copo d'água.
Aprendi que se pode dormir nas missas sem que isso seja pecado. Descobri que devemos ser dignos e que a honra está não na valentia, mas na manutenção de seus princípios.
Seu legado? Acredito ser o melhor e mais bonito que se possa ter. Muitas foram as vezes que ouvi alguns parentes (serpentes!) o criticarem por não ter se engajado na política ou na posição de reitor, sócio ou proprietário de faculdades. Não sabem eles que o seu amor, o seu tesão era ensinar, dar aulas, dentro e fora das classes. Nunca quis ser político porque não era sua índole enriquecer as custas dos outros. Não era sua obrigação deixar herança em dinheiro a ninguém. Deixou sim uma lembrança digna e uma história linda que um dia pretendo contar para meus filhos.
Hoje quando olho para meu pai brincando com minha filha ou minha sobrinha, de certa forma vejo ali o "espírito" do vô Aniba. Sério porém brincalhão. Fazendo piadinhas com as crianças e com os adultos, sem ser incoveniente.
Levando a sério a vida, mas sem deixar de achar graça nas coisas que são engraçadas.
A convivência com meu avô me foi a maior aula de humanidade, história, civilidade e educação que eu posso imaginar que alguém possa ter.
Me lembro que no dia de seu velório eu não consegui chegar muito próximo de seu corpo. Minhas lágrimas não me deixavam se aproximar daquele que fora meu herói e, heróis não morrem. Tenho certeza de que aquela foi apenas mais uma brincadeira, que ja dura mais de 10 anos e que hoje ele deve estar ensinando outras crianças e jovens por esse mundo afora.
Para esse momento de saudades, abro um vinho simples, mas honesto e produzido pelas origens de meu avô. Um Barbera D'Asti, perfeito. Coloco o Miles Davis tocando "Someday my Prince will come" com ele no trumpete, Ron Carter no Baixo, Evans no piano. Apenas os 3 dessa vez, para que o som seja mais puro.
21 de Março
O post vem atrasado por causa de uma lombalgia que me tirou o sono a mobilidade e quase me tira o humor...
O dia 21 é um dia como outro qualquer, certo?
Errado.
Para mim é um dia especial
21 de novembro é o aniversário da minha querida namorada. Ah como eu amo essa menina que teima em ser cada dia mais linda.
21 de junho nasceu minha filhota (a mais velha, já que as outras vêm depois). Um dia para não ser esquecido jamais.
21 de Março. Esse dia pode ter mudado minha vida pra sempre...
A um ano, no dia 21 de março eu me encontrei com alguém e com algo que eu jamais havia me deparado.
O voo estava no horário (eu havia conseguido antecipar para um duas horas mais cedo) e eu estava ansioso. Não me sinto confortável em aviões...
Assim que a máquina voadora pousou, aquela sensação de alívio que sempre me afaga quando ouço o "rilinchar" da borracha no asfalto, não me tomou por inteiro. "Estranho" pensei....
Desci do avião e não reparei muito nos detalhes do aeroporto. Para mim são todos iguais.
Percebi apenas uma decoração de temas infantis onde pequenos desenhos colados nas paredes e chão mostravam pinturas e frases temáticas. Interessante...
Havia uma atmosfera de frio naquele dia. Não que o clima estivesse propriamente frio, não estava. Mas o céu cinzento, a garoa fina e o frio na barriga me faziam sentir como se estivesse desembarcado em Londres...
O taxi me levou ao hotel. Fugindo do trânsito pesado de fim de tarde e agravado pela chuva.
Estava adiantado.
Ao chegar no hotel, a constatação do emocional. Estava com as mãos suadas, fato raro. O estômago frio e a cabeça a mil.
Corta para 1989....
Fazia 17 anos que eu havia descoberto o amor. Era apenas um adolescente tentando escapar dos 15 anos para enfim me tornar "adulto" aos dezesseis e o cupido me flechou. Um namoro rápido, 4 meses apenas. Nada muito íntimo, para os padrões atuais. Ela era linda. Uma beleza deslumbrante. Cabelos pretos contrastavam com sua pele branquinha que era tingida por pequenas e maravilhosas pintas, dando a ela um ar meio selvagem, meio natural. Não era alta, nem era baixa. Era perfeita. Tinha as mãos de pianista e os olhos de investigadora. Seu sorriso era capaz de baixar minha guarda de criança em corpo de homem. Sua maturidade me impressionava e eu estava completamente apaixonado. Ela era a menina mais bonita da cidade...
Foi um namoro rápido mas uma paixão duradoura. Mesmo após quase 5 anos que não mais a via, ainda sentia saudades e sonhava com ela. Um sonho que foi se perdendo pela incredulidade, pela descrença e pelo sentimento material de impossibilidade.
O tempo apagou aquela paixão...pelo menos foi o que eu pensei...
Corta para 2006.
Me peguei olhando no espelho (fato um tanto raro para mim pois não há muito o que olhar...) e percebi que não era mais aquele menino que um dia sentiu-se completamente perdido e invadido por sentimentos diversos, distintos e confusos por uma garota que desfazia de mim.
Uma ligação e poucas palavras trocadas selaram meu destino.
Dali duas horas eu a encontraria. Não a minha namoradinha de 17 anos atrás mas, uma mulher que eu não conhecia. Sim, já havíamos conversado por diversas horas em telefonemas, cartas eletrônicas e chats que me deixavam confusos e animado ao mesmo tempo.
Banho tomado, barba feita, roupa desamassada da viagem e o coração a milhão.
20:35 eu estava no bar do hotel tomando, pasmem, uma dose de burbon. Precisava descontrair. Era meu primeiro encontro com alguém que definitivamente não conhecia, embora já tivesse a encontrado inúmeras vezes no passado.
Ela adentrou no hotel flutuando. Não parecia pisar o chão. Sei que parece frase feita mas foi o que percebi naquele momento. Mesmo à distância pude perceber seu perfume, e o constatar quando nos abraçamos. Não sei como mas senti o perfume antes mesmo de chegar mais próximo dela.
Aquele sorriso quase me fez bater os joelhos. Sentia meu coração pulsando velozmente. Era uma sensação incrível e la estava eu, novamente diante daquele olhar, daquele sorriso, daquelas mãos...Sentir novamente seus beijos não era algo que eu, sinceramente, podia ter afirmado algum tempo antes. Ah, mas como foi bom....
Não sabia o que dizer ou o que fazer. Fazia 17 anos que não sentia aquilo e meu corpo todo pulsava por aquela mulher.
Um ano se passou daquela noite e ainda sinto meu peito bater quando a vejo sorrir ou quando seguro suas mãos. É a mulher da minha vida e nesse 21 de março faz um ano que me apaixono por essa menina linda.
Tanta coisa aconteceu nesse ano, coisas fortes, fortíssimas as vezes e permanecemos juntos, mesmo contra todas as expectativas, ou contra algumas pelo menos.
Eu amo essa "coisinha" linda e que me faz ser mais, sentir mais e amar mais e mais.
Um ano é muito pouco, mas é um símbolo de uma vida que está apenas começando. Uma vida a dois onde somos muito mais do que isso. Somos uma multiplicidade de coisas e sentimentos e emoções. Que venham os outros anos, todos os que tivermos direito.
Viva a vida!!!!
Nessa ocasião, abro um espumante brut para celebrar. Depois abro uma garrafa de um belíssimo Borgonha que irá nos acompanhar ouvindo John COltrane e sua trupe tocando summertime, já que nos despedimos do verão nessa data...Depois, ouvimos Autumn Leaves, para celebrar a nova estação....com muito amor e muita emoção...
O dia 21 é um dia como outro qualquer, certo?
Errado.
Para mim é um dia especial
21 de novembro é o aniversário da minha querida namorada. Ah como eu amo essa menina que teima em ser cada dia mais linda.
21 de junho nasceu minha filhota (a mais velha, já que as outras vêm depois). Um dia para não ser esquecido jamais.
21 de Março. Esse dia pode ter mudado minha vida pra sempre...
A um ano, no dia 21 de março eu me encontrei com alguém e com algo que eu jamais havia me deparado.
O voo estava no horário (eu havia conseguido antecipar para um duas horas mais cedo) e eu estava ansioso. Não me sinto confortável em aviões...
Assim que a máquina voadora pousou, aquela sensação de alívio que sempre me afaga quando ouço o "rilinchar" da borracha no asfalto, não me tomou por inteiro. "Estranho" pensei....
Desci do avião e não reparei muito nos detalhes do aeroporto. Para mim são todos iguais.
Percebi apenas uma decoração de temas infantis onde pequenos desenhos colados nas paredes e chão mostravam pinturas e frases temáticas. Interessante...
Havia uma atmosfera de frio naquele dia. Não que o clima estivesse propriamente frio, não estava. Mas o céu cinzento, a garoa fina e o frio na barriga me faziam sentir como se estivesse desembarcado em Londres...
O taxi me levou ao hotel. Fugindo do trânsito pesado de fim de tarde e agravado pela chuva.
Estava adiantado.
Ao chegar no hotel, a constatação do emocional. Estava com as mãos suadas, fato raro. O estômago frio e a cabeça a mil.
Corta para 1989....
Fazia 17 anos que eu havia descoberto o amor. Era apenas um adolescente tentando escapar dos 15 anos para enfim me tornar "adulto" aos dezesseis e o cupido me flechou. Um namoro rápido, 4 meses apenas. Nada muito íntimo, para os padrões atuais. Ela era linda. Uma beleza deslumbrante. Cabelos pretos contrastavam com sua pele branquinha que era tingida por pequenas e maravilhosas pintas, dando a ela um ar meio selvagem, meio natural. Não era alta, nem era baixa. Era perfeita. Tinha as mãos de pianista e os olhos de investigadora. Seu sorriso era capaz de baixar minha guarda de criança em corpo de homem. Sua maturidade me impressionava e eu estava completamente apaixonado. Ela era a menina mais bonita da cidade...
Foi um namoro rápido mas uma paixão duradoura. Mesmo após quase 5 anos que não mais a via, ainda sentia saudades e sonhava com ela. Um sonho que foi se perdendo pela incredulidade, pela descrença e pelo sentimento material de impossibilidade.
O tempo apagou aquela paixão...pelo menos foi o que eu pensei...
Corta para 2006.
Me peguei olhando no espelho (fato um tanto raro para mim pois não há muito o que olhar...) e percebi que não era mais aquele menino que um dia sentiu-se completamente perdido e invadido por sentimentos diversos, distintos e confusos por uma garota que desfazia de mim.
Uma ligação e poucas palavras trocadas selaram meu destino.
Dali duas horas eu a encontraria. Não a minha namoradinha de 17 anos atrás mas, uma mulher que eu não conhecia. Sim, já havíamos conversado por diversas horas em telefonemas, cartas eletrônicas e chats que me deixavam confusos e animado ao mesmo tempo.
Banho tomado, barba feita, roupa desamassada da viagem e o coração a milhão.
20:35 eu estava no bar do hotel tomando, pasmem, uma dose de burbon. Precisava descontrair. Era meu primeiro encontro com alguém que definitivamente não conhecia, embora já tivesse a encontrado inúmeras vezes no passado.
Ela adentrou no hotel flutuando. Não parecia pisar o chão. Sei que parece frase feita mas foi o que percebi naquele momento. Mesmo à distância pude perceber seu perfume, e o constatar quando nos abraçamos. Não sei como mas senti o perfume antes mesmo de chegar mais próximo dela.
Aquele sorriso quase me fez bater os joelhos. Sentia meu coração pulsando velozmente. Era uma sensação incrível e la estava eu, novamente diante daquele olhar, daquele sorriso, daquelas mãos...Sentir novamente seus beijos não era algo que eu, sinceramente, podia ter afirmado algum tempo antes. Ah, mas como foi bom....
Não sabia o que dizer ou o que fazer. Fazia 17 anos que não sentia aquilo e meu corpo todo pulsava por aquela mulher.
Um ano se passou daquela noite e ainda sinto meu peito bater quando a vejo sorrir ou quando seguro suas mãos. É a mulher da minha vida e nesse 21 de março faz um ano que me apaixono por essa menina linda.
Tanta coisa aconteceu nesse ano, coisas fortes, fortíssimas as vezes e permanecemos juntos, mesmo contra todas as expectativas, ou contra algumas pelo menos.
Eu amo essa "coisinha" linda e que me faz ser mais, sentir mais e amar mais e mais.
Um ano é muito pouco, mas é um símbolo de uma vida que está apenas começando. Uma vida a dois onde somos muito mais do que isso. Somos uma multiplicidade de coisas e sentimentos e emoções. Que venham os outros anos, todos os que tivermos direito.
Viva a vida!!!!
Nessa ocasião, abro um espumante brut para celebrar. Depois abro uma garrafa de um belíssimo Borgonha que irá nos acompanhar ouvindo John COltrane e sua trupe tocando summertime, já que nos despedimos do verão nessa data...Depois, ouvimos Autumn Leaves, para celebrar a nova estação....com muito amor e muita emoção...
quinta-feira, 22 de março de 2007
Seo Fonseca
Algumas pessoas jamais morrem...Mesmo depois de mortas, insistem em permanecer vivas, e não metaforicamente não...
Seo Fonseca era aposentado do Exército. – REFORMADO – gritava ele – REFORMADO!
Seus netos não entendiam como uma pessoa poderia ser reformada, embora existam muitas técnicas de lipo e plásticas, reformas não. Mas seo Fonseca era uma pessoa exigente e não admitia um erro desses, muitas vezes ele perdia a calma a tal ponto que ele só parava quando seu filho Batista lhe segurava ou quando sua dentadura escapava-lhe à boca.
O problema é que certa vez a dentadura caiu no colo da namorada do neto mais velho, e mordeu as partes pudentas da menina, foi um horror, seu Fonseca esbravejava, a menina gritava, o cachorro latia, não, não havia cachorro algum. Batista, o filho, tentava acalmar o pai, e o neto escondeu-se embaixo do sofá. Foi uma confusão, e até hoje no bairro quando se passa ao lado da menina se diz, “olha a menina que levou uma mordida do seu Fonseca”. Uma vergonha.
Seo Fonseca já passava dos oitenta mas aparentava somete uns sessenta. Ereto – as costas – sempre de barba feita e cabelo raspado, tinha uma familia comum que morava em um bairo comum de uma, bem, voces já sabem. O problema é que seo Fonseca era integrante de uma sociedade anonima, não uma S/A., uma sociedade secreta, daquelas de filme mesmo. A sociedade era formada inicialmente por 15 integrantes mas, hoje só sobreviviam seis. Seo fonseca era o mais moço e por isso, lhe davam as missões mais pesadas como carregar o candelabro com as velas acesas.
As reuniões da SSBP – Sociedade Secreta do Bairro Perroca – ocorriam todas as quartas-feira no porão da casa do Gen. Olegário, sempre à luz de velas.
O porão era simples, pois um dos lemas da SSBP era “não à ostentação!”. Possuia uma mesa octagonal e vários candelabros para as velas. Nas parede havia a cabeça de um ornitorrinco empalhada (siímbolo da sociedade).
A SSBP tinha como objetivo salvar o mundo dos invasores espaciais que ameaçavam invadir a terra a qualquer momento.
Cada reunião começava com um ritual simples e rápido onde bebiam seiva de mariposas e cantavam o hino do Juventus. Após esse prefácio, tinha início a reunião.
Entretanto, naquela noite uma grande tempestade pairava sobre o Perroca. Estrondos de trovões e flashes de raios e relâmpagos invadiam o ambiente. Quando o ancião ia iniciar a reunião, um raio entrou pelo encanamento da pia e acertou diretamente a peruca do Major Suzano e ricocheteou nas medalhas do Tenente-Coronel Juvenal. Ainda soubrou algumas fagulhas para o Capitão Sinval que por pouco não engoliu sua ponte.
O pandemônio estava instaurado. Os Ssbpianos ficaram apavorados e corriam em volta da mesa fugindo do raio que não encontrava saída para ir embora. As pupilas do Juvenal brilhavam cada vez que ele piscava. A peruca do Suzano ficou encandecente e indecente. O G. olegário gritava a todo pulmão que era o fim e abraçava-se ao Coronel Lindolfo que tentava disfarçar uma certa satisfação com o afago.
E o raio a chicotear e desmoralizar os nobres militares até que do nada sumiu. Todos ficaram atônitos e até o Seo Fonseca, que nunca se abalava, começou a soluçar lá em cima do lustre onde estava pendurado. Aos poucos foram se acalmando e voltando ao normal, o Gen. Olegário relutou mas concordou em soltar o Cel. Lindolfo que fazia um afago na careca do colega. Derrepente, um tremor e o porão explodiu. Voou patentes por todo o bairo mas misteriosa e milagrosamente Seo Fonseca não morreu. No dia do enterro (colocaram as medalhas nos feretros) todos olhavam espantados para o velho Fonseca. Ele ainda mantinha a postura ereta, mas, nunca mais foi o mesmo.
Para as coisas que insitem em permanecer, abro um "Chateauneuf du Pape" que insiste em permanecer bom, seja qual for sua safra...Coloco uns "jovens" cubanos a tocar seu som contagiante e absolutamente lindo...Compay Segundo e sua voz rouca nos encanta com seu "Amor de loca Juventud" e em seu tresero (espécie de violão criado por ele mesmo), Ruben Gonzales mostra o seu fascinante piano, Eliades Ochoa segura com vitalidade o violão cubano, Omara Portuondo tem uma voz incrível, Barbarito Torres nos apresenta seu alaúde cubano é algo a ser ouvido sempre...
Seo Fonseca era aposentado do Exército. – REFORMADO – gritava ele – REFORMADO!
Seus netos não entendiam como uma pessoa poderia ser reformada, embora existam muitas técnicas de lipo e plásticas, reformas não. Mas seo Fonseca era uma pessoa exigente e não admitia um erro desses, muitas vezes ele perdia a calma a tal ponto que ele só parava quando seu filho Batista lhe segurava ou quando sua dentadura escapava-lhe à boca.
O problema é que certa vez a dentadura caiu no colo da namorada do neto mais velho, e mordeu as partes pudentas da menina, foi um horror, seu Fonseca esbravejava, a menina gritava, o cachorro latia, não, não havia cachorro algum. Batista, o filho, tentava acalmar o pai, e o neto escondeu-se embaixo do sofá. Foi uma confusão, e até hoje no bairro quando se passa ao lado da menina se diz, “olha a menina que levou uma mordida do seu Fonseca”. Uma vergonha.
Seo Fonseca já passava dos oitenta mas aparentava somete uns sessenta. Ereto – as costas – sempre de barba feita e cabelo raspado, tinha uma familia comum que morava em um bairo comum de uma, bem, voces já sabem. O problema é que seo Fonseca era integrante de uma sociedade anonima, não uma S/A., uma sociedade secreta, daquelas de filme mesmo. A sociedade era formada inicialmente por 15 integrantes mas, hoje só sobreviviam seis. Seo fonseca era o mais moço e por isso, lhe davam as missões mais pesadas como carregar o candelabro com as velas acesas.
As reuniões da SSBP – Sociedade Secreta do Bairro Perroca – ocorriam todas as quartas-feira no porão da casa do Gen. Olegário, sempre à luz de velas.
O porão era simples, pois um dos lemas da SSBP era “não à ostentação!”. Possuia uma mesa octagonal e vários candelabros para as velas. Nas parede havia a cabeça de um ornitorrinco empalhada (siímbolo da sociedade).
A SSBP tinha como objetivo salvar o mundo dos invasores espaciais que ameaçavam invadir a terra a qualquer momento.
Cada reunião começava com um ritual simples e rápido onde bebiam seiva de mariposas e cantavam o hino do Juventus. Após esse prefácio, tinha início a reunião.
Entretanto, naquela noite uma grande tempestade pairava sobre o Perroca. Estrondos de trovões e flashes de raios e relâmpagos invadiam o ambiente. Quando o ancião ia iniciar a reunião, um raio entrou pelo encanamento da pia e acertou diretamente a peruca do Major Suzano e ricocheteou nas medalhas do Tenente-Coronel Juvenal. Ainda soubrou algumas fagulhas para o Capitão Sinval que por pouco não engoliu sua ponte.
O pandemônio estava instaurado. Os Ssbpianos ficaram apavorados e corriam em volta da mesa fugindo do raio que não encontrava saída para ir embora. As pupilas do Juvenal brilhavam cada vez que ele piscava. A peruca do Suzano ficou encandecente e indecente. O G. olegário gritava a todo pulmão que era o fim e abraçava-se ao Coronel Lindolfo que tentava disfarçar uma certa satisfação com o afago.
E o raio a chicotear e desmoralizar os nobres militares até que do nada sumiu. Todos ficaram atônitos e até o Seo Fonseca, que nunca se abalava, começou a soluçar lá em cima do lustre onde estava pendurado. Aos poucos foram se acalmando e voltando ao normal, o Gen. Olegário relutou mas concordou em soltar o Cel. Lindolfo que fazia um afago na careca do colega. Derrepente, um tremor e o porão explodiu. Voou patentes por todo o bairo mas misteriosa e milagrosamente Seo Fonseca não morreu. No dia do enterro (colocaram as medalhas nos feretros) todos olhavam espantados para o velho Fonseca. Ele ainda mantinha a postura ereta, mas, nunca mais foi o mesmo.
Para as coisas que insitem em permanecer, abro um "Chateauneuf du Pape" que insiste em permanecer bom, seja qual for sua safra...Coloco uns "jovens" cubanos a tocar seu som contagiante e absolutamente lindo...Compay Segundo e sua voz rouca nos encanta com seu "Amor de loca Juventud" e em seu tresero (espécie de violão criado por ele mesmo), Ruben Gonzales mostra o seu fascinante piano, Eliades Ochoa segura com vitalidade o violão cubano, Omara Portuondo tem uma voz incrível, Barbarito Torres nos apresenta seu alaúde cubano é algo a ser ouvido sempre...
quinta-feira, 15 de março de 2007
Vida Simples...
Vivemos um momento contraditório. Humanamente contraditório.
As contradições e incoerências estão ai, para quem quiser ver e ouvir.
refiro-me a condição humana. Aos valores e princípios de respeito ao próximo ao nosso corpo e a nosso espírito.
Não sou uma pessoa religiosa ou seguidora de alguma crença mas acredito que necessitamos fazer o bem, ajudar e respeitar a todos se quisermos ter algo nessa vida e em qualquer outra que possa haver.
As inversões de valores que notamos todos os dias estão, dia após dia, superando-se. Hoje em dia o que importa é sucesso financeiro. Trocar de carro e sempre por outro mais luxuoso e maior é um sinal de que o sujeito está "bem".
Ter um apartamento mais bacana é quase que um emblema de que você é capaz, inteligente, profissional...Não há mais quase ninguém que deseje saber se você está em paz, com saúde e vivendo em harmonia com a familia a amigos. O que se ouve sempre é a pergunta: "Fulano está bem?" E esse "bem" é sempre no tocante ao aspecto material, como se isso fosse a única coisa que realmente importa.
Concordo que no sistema e mundo em que vivemos hoje é importante saber viver com dinheiro e com coisas materiais, mas creio que os limites já foram derrubados.
Um profissional não pode, contemporaneamente, desejar uma carreira pacata e horizontal. Ele precisa ser ganancioso e ambicioso o suficiente para competir, lutar, brigar e até matar (nem sempre metaforicamente) para poder subir de estagiário para analista, depois coordenador, gerente e assim por diante. O que se prega é um mundo de altos diretores, como se o profissional "padrão" fosse uma doença, um mal ao qual deve-se vacinar todos os meses.
Em todos os setores percebemos essas inversões. Ler os jornais ou assistir aos noticiários da tv é estar diante da paranóia, da imundice humana. Neto matando avô, criança de menos de dois anos sendo violentada e morta em uma igreja numa cidade pequena no interior do país, criança em idade primária sendo arrastada como se fora um "bang-bang" latino, namorados se matando após se drogarem, familias destruídas...esse é o nosso retrato? Parece que tem sido.
Hoje no café da manhã com minha namorada (aliás, devo aqui agradecer a Li por ter me ajudado a perceber o quão importante é um café da manhã com a mulher amada...) ela me contou sobre um executivo que resolveu ter uma vida mais simples. Vendeu o palacete e comprou uma casa "comum", vendeu 3 carros e ficou somente com um. Ao invés de 4 guarda-roupas abarrotados, resolveu que cada integrante de sua familia deveria ter apenas as roupas necessárias para se viver sem exageros. Não sei os meandros da história mas não me interessa. Seja por que for, é um exemplo a ser admirado e, por que não, seguido.
Será que precisamos de tanto luxo e de tanta ganância nessa vida? Precisamos de tanta grana assim pra viver? Não nos basta termos dinheiro suficiente para pagar nossas contas, alguns gastos ocasionais e termos mais saúde e tempo para compartilhar com quem amamos e que nos amam também?
Há cerca de um ano minha noção de qualidade de vida era uma. Confesso que tenho mudado minha maneira de pensar. Humildade não é defeito, pelo contrário. Não é burrice ser pacato. Errado é esse modelo que ai está, truculento, violento e desumano. Sei lá...acho que a humanidade em alguma esquina do tempo, tomou o caminho errado...
Para colocar um pouco de paz, toco um tema delicioso que poderia nos levar até a Lua, sem dúvida...Joe Henderson "rege" Fly Me to The Moon em seu tenor forte e suave, no contrabaixo Dave Holland coloca seu sotaque britânico, Art Blakey vigora na batera e TMonk nos leva as estrelas com seu piano voador...
Abro, simplesmente e sem pretensão, um delicioso Malbec Luigi Bosca importado de nossos "hermanos" e feito com muita simplicidade e honestidade.
Viva as coisas simples da vida...
As contradições e incoerências estão ai, para quem quiser ver e ouvir.
refiro-me a condição humana. Aos valores e princípios de respeito ao próximo ao nosso corpo e a nosso espírito.
Não sou uma pessoa religiosa ou seguidora de alguma crença mas acredito que necessitamos fazer o bem, ajudar e respeitar a todos se quisermos ter algo nessa vida e em qualquer outra que possa haver.
As inversões de valores que notamos todos os dias estão, dia após dia, superando-se. Hoje em dia o que importa é sucesso financeiro. Trocar de carro e sempre por outro mais luxuoso e maior é um sinal de que o sujeito está "bem".
Ter um apartamento mais bacana é quase que um emblema de que você é capaz, inteligente, profissional...Não há mais quase ninguém que deseje saber se você está em paz, com saúde e vivendo em harmonia com a familia a amigos. O que se ouve sempre é a pergunta: "Fulano está bem?" E esse "bem" é sempre no tocante ao aspecto material, como se isso fosse a única coisa que realmente importa.
Concordo que no sistema e mundo em que vivemos hoje é importante saber viver com dinheiro e com coisas materiais, mas creio que os limites já foram derrubados.
Um profissional não pode, contemporaneamente, desejar uma carreira pacata e horizontal. Ele precisa ser ganancioso e ambicioso o suficiente para competir, lutar, brigar e até matar (nem sempre metaforicamente) para poder subir de estagiário para analista, depois coordenador, gerente e assim por diante. O que se prega é um mundo de altos diretores, como se o profissional "padrão" fosse uma doença, um mal ao qual deve-se vacinar todos os meses.
Em todos os setores percebemos essas inversões. Ler os jornais ou assistir aos noticiários da tv é estar diante da paranóia, da imundice humana. Neto matando avô, criança de menos de dois anos sendo violentada e morta em uma igreja numa cidade pequena no interior do país, criança em idade primária sendo arrastada como se fora um "bang-bang" latino, namorados se matando após se drogarem, familias destruídas...esse é o nosso retrato? Parece que tem sido.
Hoje no café da manhã com minha namorada (aliás, devo aqui agradecer a Li por ter me ajudado a perceber o quão importante é um café da manhã com a mulher amada...) ela me contou sobre um executivo que resolveu ter uma vida mais simples. Vendeu o palacete e comprou uma casa "comum", vendeu 3 carros e ficou somente com um. Ao invés de 4 guarda-roupas abarrotados, resolveu que cada integrante de sua familia deveria ter apenas as roupas necessárias para se viver sem exageros. Não sei os meandros da história mas não me interessa. Seja por que for, é um exemplo a ser admirado e, por que não, seguido.
Será que precisamos de tanto luxo e de tanta ganância nessa vida? Precisamos de tanta grana assim pra viver? Não nos basta termos dinheiro suficiente para pagar nossas contas, alguns gastos ocasionais e termos mais saúde e tempo para compartilhar com quem amamos e que nos amam também?
Há cerca de um ano minha noção de qualidade de vida era uma. Confesso que tenho mudado minha maneira de pensar. Humildade não é defeito, pelo contrário. Não é burrice ser pacato. Errado é esse modelo que ai está, truculento, violento e desumano. Sei lá...acho que a humanidade em alguma esquina do tempo, tomou o caminho errado...
Para colocar um pouco de paz, toco um tema delicioso que poderia nos levar até a Lua, sem dúvida...Joe Henderson "rege" Fly Me to The Moon em seu tenor forte e suave, no contrabaixo Dave Holland coloca seu sotaque britânico, Art Blakey vigora na batera e TMonk nos leva as estrelas com seu piano voador...
Abro, simplesmente e sem pretensão, um delicioso Malbec Luigi Bosca importado de nossos "hermanos" e feito com muita simplicidade e honestidade.
Viva as coisas simples da vida...
sexta-feira, 9 de março de 2007
Dábliú Buchi
Dizem as más linguas que o presidente que está nos visitando (ninguém sabe direito o porque mas o motorista "adorou" o trânsito da cidade) é meio chegado em um aperitivo, ou até em umas e outras. Há quem diga que na verdade ele é o maior páu d'agua da paróquia, que o negócio dele é 51 pura e sem limão.
Entendam o seguinte. Há alguns anos, a outra grande república, a Russia, era governada por um digno cidadão, pai de família, avô de familia, boa praça, torcedor fanático do Dínamo. Mas como ninguém é perfeito, ele tomava umas vodkas no fim do dia. O problema é que com o avançar da idade, o dia para ele tinha apenas 20 minutos.
Todo mundo sabe, que a guerra fria de fato, de fato mesmo, ali no certo, sempre esteve meio morna. Mas os governantes contemporâneos souberam manter uma disciplina que evitava a destruição do planeta em 7 segundos.
O problema teria ocorrido (ninguém confirma oficialmente, mas uma fonte minha do pentágono me diz ser verdade verdadeira) quando o presidente que aqui está agora, o visitou alguns anos atrás. A confusão estava armada.
Imaginem uma visita cordial do Tio Sam à Europa, onde passaria o final de semana em uma bela estância nevada ao norte de Moscou, a convite do presidente russo.
Até aí, nada demais. O final de semana começaria em bom astral. As pistas de esqui estavam ótimas, o clima bom, o céu em um azul de brigadeiro. Tudo perfeito.
O Tio Sam levou junto consigo seus três netos além da força secreta disfarçada de renas soviéticas.
Do lado da Russia, além do presidente foram uma neta e dois sobrinhos netos representar a juventude do leste europeu. Tudo muito tranquilo. Passam o dia esquiando, falando banalidades. As crianças fazem bonecos de neve e brincam de atirar chumbinho em algumas renas que insistiam permanecer por perto. Muito chocolate quente, muito milho e batata cozidos.
No sábado, a discórdia começa a aparecer. O tempo virou e uma grande tempestade de neve assola o acampamento. Não é possível sequer tirar o pé da cabana. Sem ter o que fazer, e tendo em vista que as primeiras damas não foram e que as bailarinas do balet Putirkov não aceitaram o convite em virtude do cachê, os chefe de Estado começaram a beber.
Tentando esconder o vício um do outro, o anfitrião começa.
- Bem camarada, vamos tomar um conhaque para aquecer esses velhos ossos?!
- Sim, claro, um copinho nunca fez mal a ninguém. ( seus olhos brilham!)
Os dois brindam a paz mundial.
- Strotzen prosit!
- Cheers!
Em um único gole esvaziam seu copos.
- Acho que mais uma dose vai bem, certo.
- Ë claro que eu to a fim!
Outra dose é derramada nos copos, desta vez mais generosa.
- Ao fim da guerra
- Yes!
Masi uma vez o copo se esvai de uma só tomada
- Mandei trazer esse aguardente direto de Cognac. Esses franceses são meio esquentadinhos mas sabem fazer uma boa birita, digo bebida.
- Tem razão. Aliás, eu aceito mais um pouco
O russo levanta-se de sua cadeira e meio cambaleante pensa : “esse americano vai acabar com meu estoque”. Enchidos os copos até a boca, os donos do mundo elevam seus vasos transbordantes e mais uma vez brindam. Mas desta vez é o representante americano que toma a iniciativa.
- Que se dane a paz. A nós dois, os verdadeiros próceres mundias. (pelo menos de minha parte)
- Strubleizz!
- Hã
- Harmarzz!
- Ok. Ok.( o que esse boçal está dizendo)
Neste momento uma das crianças americanas olha e diz:
- Hii, o vovô está chamberlein
A menina russa responde:
- Quem o seu avô está imitando eu não sei, mas o meu está de fogo.
Passadas algumas horas e cinco garrafas de conhaque, os líderes nacionais estão sentados cada um em uma poltrona e de dedo em riste, desafiando a autoridade do outro.
- Vocês americanos pensam que são os donos do mundo! Inventaram a tal da globalização e agora não tem mais controle sobre ela.
- Nós temos o controle sobre tudo e sobre todos! Ops! Quero dizer, simbolicamente.
- O seu país não vale nada, não tem nem comida direito. Da última vez que lá estive comi hamburguer, onde já se viu uma nação onde não há um prato típico.
- A é!
- É
- Pois o seu país tem muitos pratos típicos, mas ninguém tem dinheiro para fazê-lo e muito menos comprá-lo.
- Culpa dessa porcaria que vocês inventaram de nome capitalismo.
- Nós não inventamos nada!
- Isso é verdade, voces não têm capacidade. Aceita outro copo?!
- Sim, por favor.
- ...
- Voces não sabem nem beber direito, é só cerveja, e quente!
- E vocês só tomam vodka barata nacional, e esse conhaque não veio de Cognac coisíssima nenhuma, no maxímo, foi comprado em alguma esquina de Kiev, e bem barato ainda.
- Agora você me ofendeu.
- Se quiser vir pode vir, mas vem mesmo!
As crianças assistem tudo em silêncio. Derrepente, o garoto americano mais velho com cara de bonzinho e sardas no rosto, puxa o cabelo da menina decendente de Stalin. Os do meio tacam sujeira de nariz um no outro. Os mais novos abrem a boca e começam a chorar estridentemente. O caos esta armado. O ambiente está pesadíssimo. As crianças choram compulsivamente. Os dois senhores já estão para se pegar, e só não o fizeram ainda porque estão incapacitados de levantar das poltronas onde afundam-se cada vez mais.
- Está vendo só que você fez! Americano de uma figa, agora as crianças estão chorando e brigando assustadas.
- Eu fiz!? Você está mesmo caduco. Eu só estava tomando essa porcaria aqui quando você começou a me injuriar.
As crianças choram cada vez mais e os velhos estão se atacando com pedaços do estofamento das poltronoas já que ninguem teve coragem de atirar os copos.
- Onde estão as mães desses pestinhas que não aparece?
- Não disse que está caduco! Eles vieram sozinhos.
- Essa liberdade. Bem se sabe que isso é coisa de americanos. Na mãe Russia não existe isso.
A situação cada vez pior vai tornando-se insustentável e o lider yank ameaça sacar de seu celular verde e mandar o pentágono atacar o leste europeu inteiro. Ao que reage o chefe vermelho.
- Faça isso e eu ordeno o kremlin ativar os mísseis nucleares e acabo com aquele seu país metido a besta.
- Aaaah! Então aquela história de desarmamento era só lorota. Eu devia ter desconfiado.
- Só não desconfiou porque é um otário. E bêbado.
- Eu não sou bêbado.
- Alguém por favor quer mandar matar essas renas idiotas que estão batendo na janela com um walk-tlak na mão.
Ao dizer isto caiu em sono profundo, não se sabe se por causa da bebida ou pela visão de uma rena falando em um rádio transmissor. Logo em seguida o outro também desmaiou. As crianças continuam chorando.
Entendam o seguinte. Há alguns anos, a outra grande república, a Russia, era governada por um digno cidadão, pai de família, avô de familia, boa praça, torcedor fanático do Dínamo. Mas como ninguém é perfeito, ele tomava umas vodkas no fim do dia. O problema é que com o avançar da idade, o dia para ele tinha apenas 20 minutos.
Todo mundo sabe, que a guerra fria de fato, de fato mesmo, ali no certo, sempre esteve meio morna. Mas os governantes contemporâneos souberam manter uma disciplina que evitava a destruição do planeta em 7 segundos.
O problema teria ocorrido (ninguém confirma oficialmente, mas uma fonte minha do pentágono me diz ser verdade verdadeira) quando o presidente que aqui está agora, o visitou alguns anos atrás. A confusão estava armada.
Imaginem uma visita cordial do Tio Sam à Europa, onde passaria o final de semana em uma bela estância nevada ao norte de Moscou, a convite do presidente russo.
Até aí, nada demais. O final de semana começaria em bom astral. As pistas de esqui estavam ótimas, o clima bom, o céu em um azul de brigadeiro. Tudo perfeito.
O Tio Sam levou junto consigo seus três netos além da força secreta disfarçada de renas soviéticas.
Do lado da Russia, além do presidente foram uma neta e dois sobrinhos netos representar a juventude do leste europeu. Tudo muito tranquilo. Passam o dia esquiando, falando banalidades. As crianças fazem bonecos de neve e brincam de atirar chumbinho em algumas renas que insistiam permanecer por perto. Muito chocolate quente, muito milho e batata cozidos.
No sábado, a discórdia começa a aparecer. O tempo virou e uma grande tempestade de neve assola o acampamento. Não é possível sequer tirar o pé da cabana. Sem ter o que fazer, e tendo em vista que as primeiras damas não foram e que as bailarinas do balet Putirkov não aceitaram o convite em virtude do cachê, os chefe de Estado começaram a beber.
Tentando esconder o vício um do outro, o anfitrião começa.
- Bem camarada, vamos tomar um conhaque para aquecer esses velhos ossos?!
- Sim, claro, um copinho nunca fez mal a ninguém. ( seus olhos brilham!)
Os dois brindam a paz mundial.
- Strotzen prosit!
- Cheers!
Em um único gole esvaziam seu copos.
- Acho que mais uma dose vai bem, certo.
- Ë claro que eu to a fim!
Outra dose é derramada nos copos, desta vez mais generosa.
- Ao fim da guerra
- Yes!
Masi uma vez o copo se esvai de uma só tomada
- Mandei trazer esse aguardente direto de Cognac. Esses franceses são meio esquentadinhos mas sabem fazer uma boa birita, digo bebida.
- Tem razão. Aliás, eu aceito mais um pouco
O russo levanta-se de sua cadeira e meio cambaleante pensa : “esse americano vai acabar com meu estoque”. Enchidos os copos até a boca, os donos do mundo elevam seus vasos transbordantes e mais uma vez brindam. Mas desta vez é o representante americano que toma a iniciativa.
- Que se dane a paz. A nós dois, os verdadeiros próceres mundias. (pelo menos de minha parte)
- Strubleizz!
- Hã
- Harmarzz!
- Ok. Ok.( o que esse boçal está dizendo)
Neste momento uma das crianças americanas olha e diz:
- Hii, o vovô está chamberlein
A menina russa responde:
- Quem o seu avô está imitando eu não sei, mas o meu está de fogo.
Passadas algumas horas e cinco garrafas de conhaque, os líderes nacionais estão sentados cada um em uma poltrona e de dedo em riste, desafiando a autoridade do outro.
- Vocês americanos pensam que são os donos do mundo! Inventaram a tal da globalização e agora não tem mais controle sobre ela.
- Nós temos o controle sobre tudo e sobre todos! Ops! Quero dizer, simbolicamente.
- O seu país não vale nada, não tem nem comida direito. Da última vez que lá estive comi hamburguer, onde já se viu uma nação onde não há um prato típico.
- A é!
- É
- Pois o seu país tem muitos pratos típicos, mas ninguém tem dinheiro para fazê-lo e muito menos comprá-lo.
- Culpa dessa porcaria que vocês inventaram de nome capitalismo.
- Nós não inventamos nada!
- Isso é verdade, voces não têm capacidade. Aceita outro copo?!
- Sim, por favor.
- ...
- Voces não sabem nem beber direito, é só cerveja, e quente!
- E vocês só tomam vodka barata nacional, e esse conhaque não veio de Cognac coisíssima nenhuma, no maxímo, foi comprado em alguma esquina de Kiev, e bem barato ainda.
- Agora você me ofendeu.
- Se quiser vir pode vir, mas vem mesmo!
As crianças assistem tudo em silêncio. Derrepente, o garoto americano mais velho com cara de bonzinho e sardas no rosto, puxa o cabelo da menina decendente de Stalin. Os do meio tacam sujeira de nariz um no outro. Os mais novos abrem a boca e começam a chorar estridentemente. O caos esta armado. O ambiente está pesadíssimo. As crianças choram compulsivamente. Os dois senhores já estão para se pegar, e só não o fizeram ainda porque estão incapacitados de levantar das poltronas onde afundam-se cada vez mais.
- Está vendo só que você fez! Americano de uma figa, agora as crianças estão chorando e brigando assustadas.
- Eu fiz!? Você está mesmo caduco. Eu só estava tomando essa porcaria aqui quando você começou a me injuriar.
As crianças choram cada vez mais e os velhos estão se atacando com pedaços do estofamento das poltronoas já que ninguem teve coragem de atirar os copos.
- Onde estão as mães desses pestinhas que não aparece?
- Não disse que está caduco! Eles vieram sozinhos.
- Essa liberdade. Bem se sabe que isso é coisa de americanos. Na mãe Russia não existe isso.
A situação cada vez pior vai tornando-se insustentável e o lider yank ameaça sacar de seu celular verde e mandar o pentágono atacar o leste europeu inteiro. Ao que reage o chefe vermelho.
- Faça isso e eu ordeno o kremlin ativar os mísseis nucleares e acabo com aquele seu país metido a besta.
- Aaaah! Então aquela história de desarmamento era só lorota. Eu devia ter desconfiado.
- Só não desconfiou porque é um otário. E bêbado.
- Eu não sou bêbado.
- Alguém por favor quer mandar matar essas renas idiotas que estão batendo na janela com um walk-tlak na mão.
Ao dizer isto caiu em sono profundo, não se sabe se por causa da bebida ou pela visão de uma rena falando em um rádio transmissor. Logo em seguida o outro também desmaiou. As crianças continuam chorando.
quarta-feira, 7 de março de 2007
Lula alho e óleo de entrada, risoto de camarão como principal e...vela....
A receita é simples...
Ingredientes:
Lula alho e óleo.
1kg de lula em anéis
2 dentes de alho picado miudinho
2 dentes de alho em finas fatias
salsinha picada na hora
sal
pimenta do reino
3 colheres de azeite de oliva
estragão
1 cálice de vinho branco.
Risoto de camarão.
800g de camarão miúdo limpo
600g de arroz arbóreo
1 cebola ralada
2 dentes de alho picados
500ml de caldo de peixe
sal
pimenta vermelha limpa
pimenta do reino
cheiro verde
açafrão
1 taça de vinho branco
Modo de preparo
Para as Lulas:
Temperar os anéis com o alho picado, sal, pimenta, o estragão miudinho, o vinho e duas colheres de azeite. Deixe descansar por cerca de 1 hora.
Aqueça o restante do azeite em uma frigideira de fundo grosso e coloque o alho fatiado, quando começar a dourar, junte a lula e reserve o molho que sobrou do tempero. Vá dourando os anéis até que a água liberada pela lula evapore. Adicione o molho restante aos poucos para ir concentrando, quando acabar, deixe secar e está pronto. Salpique a salsinha sobre os anéis e sirva.
Risoto:
Doure o alho e a cebola no azeite em uma panela grande, adicione os camarões e abafe. Quando secar, adicione 3 colheres de azeite, o açafrão, a pimenta vermelha picada sem a pele e as sementes, a pimenta do reino e o cheiro verde e misture tudo para em seguida adicionar o arroz. Deixe dourar por dois minutos e coloque o vinho branco. Vá mexendo até que evapore. Quando o vinho tiver evaporado, adicione duas conchas do caldo de peixe, vá mexendo e adicionando o caldo até que os grãos do arroz não estejam mais "esbranquiçados". O arroz não pode ficar completamente cozido, devendo permanecer "al dente" mas não cru.
Desligue o fogo e coloque uma colher de manteiga, mexe uma vez mais e tampe a panela por alguns minutos antes de servir.
Servi essas duas receitas no final de semana passado quando recebemos, a Li e eu, um amigo místico e mítico. Profundo conhecedor dos mistérios estelares e da astrologia, passamos horas muito agradáveis comendo os anéis de lula com um espumante e depois saboreando o risoto com um bom tinto, ambos eu indicarei logo mais abaixo.
A noite estava ótima e a conversa pra lá de animada. Alto astral e boa companhia, combinação perfeita. Grandes temas, em baixo volume, tocavam ao fundo embalando a noite.
Após a segunda garafa de vinho, sentamos na sacada para apreciar melhor a bela noite de sexta, para poder melhor ver o céu, apagamos as luzes e acendemos uma vela decorativa com aroma de cravo e canela.
Conversamos sobre tudo. Astros, eclipse, amigos, tempo, presente, passado e futuro...estávamos na terceira garrafa de vinho quando percebemos que a chama da vela estava alta demais para um simples pavio. Apagamos a chama e enfim nos demos conta de que a parafina cor de vinho havia derretido e escorrido sobre a mureta da sacada, pelo lado de fora. Após muitas risadas, percebemos que teríamos que limpar a mureta no outro dia, pois naquele momento seria arriscado demais.
No outro dia quando fomos ver o "estrago", com olhos de sono e cara de vinho, notamos que a parafina se derramou nas três sacadas abaixo e não somente na nossa. Um vexame, pensou a Li. Um barato, pensou o amigo...Eu, eu não pensei em muita coisa pois ainda estava pensando no jantar da noite anterior...divertido...
Para acompanhar a lula, um pro-seco da Salton, justo. Para o risoto a idéia era abrir um Cabernet Sauvignon Australiano, e assim foi, porém um Malbec argentino e um Sirah Chileno seguiram o irmão do novo mundo e nos acariciaram com aromas, sabores e leveza poucas vezes vistas juntas...muito bom....
Na "vitrola" estava o bom e velho Coltrane entoando seus clássicos no sax soprano, Ron Carter apareceu para dar uma força no baixo, Bill Evans energizou os teclados de seu piano e Paul Motian mandou muito bem na batera..."sonsacional"
Ingredientes:
Lula alho e óleo.
1kg de lula em anéis
2 dentes de alho picado miudinho
2 dentes de alho em finas fatias
salsinha picada na hora
sal
pimenta do reino
3 colheres de azeite de oliva
estragão
1 cálice de vinho branco.
Risoto de camarão.
800g de camarão miúdo limpo
600g de arroz arbóreo
1 cebola ralada
2 dentes de alho picados
500ml de caldo de peixe
sal
pimenta vermelha limpa
pimenta do reino
cheiro verde
açafrão
1 taça de vinho branco
Modo de preparo
Para as Lulas:
Temperar os anéis com o alho picado, sal, pimenta, o estragão miudinho, o vinho e duas colheres de azeite. Deixe descansar por cerca de 1 hora.
Aqueça o restante do azeite em uma frigideira de fundo grosso e coloque o alho fatiado, quando começar a dourar, junte a lula e reserve o molho que sobrou do tempero. Vá dourando os anéis até que a água liberada pela lula evapore. Adicione o molho restante aos poucos para ir concentrando, quando acabar, deixe secar e está pronto. Salpique a salsinha sobre os anéis e sirva.
Risoto:
Doure o alho e a cebola no azeite em uma panela grande, adicione os camarões e abafe. Quando secar, adicione 3 colheres de azeite, o açafrão, a pimenta vermelha picada sem a pele e as sementes, a pimenta do reino e o cheiro verde e misture tudo para em seguida adicionar o arroz. Deixe dourar por dois minutos e coloque o vinho branco. Vá mexendo até que evapore. Quando o vinho tiver evaporado, adicione duas conchas do caldo de peixe, vá mexendo e adicionando o caldo até que os grãos do arroz não estejam mais "esbranquiçados". O arroz não pode ficar completamente cozido, devendo permanecer "al dente" mas não cru.
Desligue o fogo e coloque uma colher de manteiga, mexe uma vez mais e tampe a panela por alguns minutos antes de servir.
Servi essas duas receitas no final de semana passado quando recebemos, a Li e eu, um amigo místico e mítico. Profundo conhecedor dos mistérios estelares e da astrologia, passamos horas muito agradáveis comendo os anéis de lula com um espumante e depois saboreando o risoto com um bom tinto, ambos eu indicarei logo mais abaixo.
A noite estava ótima e a conversa pra lá de animada. Alto astral e boa companhia, combinação perfeita. Grandes temas, em baixo volume, tocavam ao fundo embalando a noite.
Após a segunda garafa de vinho, sentamos na sacada para apreciar melhor a bela noite de sexta, para poder melhor ver o céu, apagamos as luzes e acendemos uma vela decorativa com aroma de cravo e canela.
Conversamos sobre tudo. Astros, eclipse, amigos, tempo, presente, passado e futuro...estávamos na terceira garrafa de vinho quando percebemos que a chama da vela estava alta demais para um simples pavio. Apagamos a chama e enfim nos demos conta de que a parafina cor de vinho havia derretido e escorrido sobre a mureta da sacada, pelo lado de fora. Após muitas risadas, percebemos que teríamos que limpar a mureta no outro dia, pois naquele momento seria arriscado demais.
No outro dia quando fomos ver o "estrago", com olhos de sono e cara de vinho, notamos que a parafina se derramou nas três sacadas abaixo e não somente na nossa. Um vexame, pensou a Li. Um barato, pensou o amigo...Eu, eu não pensei em muita coisa pois ainda estava pensando no jantar da noite anterior...divertido...
Para acompanhar a lula, um pro-seco da Salton, justo. Para o risoto a idéia era abrir um Cabernet Sauvignon Australiano, e assim foi, porém um Malbec argentino e um Sirah Chileno seguiram o irmão do novo mundo e nos acariciaram com aromas, sabores e leveza poucas vezes vistas juntas...muito bom....
Na "vitrola" estava o bom e velho Coltrane entoando seus clássicos no sax soprano, Ron Carter apareceu para dar uma força no baixo, Bill Evans energizou os teclados de seu piano e Paul Motian mandou muito bem na batera..."sonsacional"
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