Hoje resolvi falar de uma assunto que ainda gera arrepios e calafrios em muita gente. Pois é, a dita cuja. Tem muita gente que não gosta nem que se pronuncie o nome dela, dizem que dá azar, assim deram-na muitos nomes: Derradeira hora; dessa pra melhor (ou pra pior dependendo do político); hora de abotoar o paletó; dormir quente e acordar gelado; única certeza dessa vida; falar com Deus; encontrar-se com Jesus (ainda com variáveis conforme o partido) entre tantas outras.
Mas o que é esse fato do qual não podemos escapar e que vez ou outra ronda nossa vida – prima irmã mais velha da distinta. Filósofos já escreveram ensaios e até obras inteiras sobres a fatídica. Uns descreveram-na como “ato único e sublime, talvez o mais soberbo na vida miserável da nobreza”, com essas palavras Satre encerra um pequeno discurso, feito em um café parisiense (obra não divulgada, claro) sobre o último respiro. Outros, a chamaram como “miserável encontro marcado para esses fantoches que são perversamente manipulados aqui nesse mundo sabe-se lá por quem.” Assim Wilde, em um noite de bebedeira, declarou sua ira com o derradeiro encontro e com quem quer que determine o mesmo. Existem ainda, aqueles que simplesmente zombam dela, que a tratam como uma velha conhecida, alguém que certamente já rondou por entre os vários dias de cada vida.
A cada geração que passa, o mito aumenta e parece que o inconformismo também. Talvez pelo avanço da ciência e da medicina, o homem de hoje não aceite que não possa derrotar a temida ou então reiniciar como se fosse um terminal de computador. Entretanto, há aqueles que não a temem e aceitam-na como mera consequência de uma vida, e eu me incluo nesses. Afinal de contas, a bandida sempre esteve entre nós.
Quem não levou um tombo do berço, ou então, levou algum instrumento metálico à tomada ou ainda, passou noites inteiras com febre alta, e a vigarista ali, sentada à beira da cama, amolando a velha foice e a sorrir para nós. A febre baixava, ou a viga caia a poucos centímetros de nossa cabeças. O caminhão que desvia-se no último instante, ou ainda aquela mordida de animal peçonhento que, por um curvar-se do corpo, errou o bote. E a ordinária a amolar a foice.
Certas pessoas convivem dia-a-dia com a perversa. Alguns até a convidam para um cafezinho, e a disgramada aceita. O fazem com o intuito de prolongar sua estada por aqui, mas é inevitável a chegada do fim, ele vem para todos. Mesmo para aqueles que fazem aniversário de três em três anos, como alguns artistas.
Passa ano, entra ano, e ela está ali, sentada no canto da sala, a foice impecavelmene afiada, como navalha.
Já tentaram até trocar a foice por modernas pistolas de raio laser, mas ela não quis, disse que seria muito simples e perderia a graça. E percebam senhores, que ela é ELA, uma mulher a levar-nos ao fundo, ao fim.
Mas eu não, eu não a temo.
Hã o nome dela...dizer, bem, é melhor não, pode dar azar, vai que ela ache que a estou chamando...
Para brindar à vida e ao bom humor, abro um “Barbera D’Asti” e coloco pra tocar “Light as a feather” com Chick Corea, piano elétrico, Joe Farrell, sax soprano, Stanley Clarke, contrabaixo, Airto Moreira, bateria, Flora Purim, voz e percussão....
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
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