Hoje decidi inaugurar uma "coluna" gastronômica aqui nesse espaço. Já que só eu mesmo visito esse canto, vou usá-lo como livro de receitas. A princípio, será semanal essa coluna, publicada às quartas, mas com exceções, afinal esse espaço é meu....
Uma receita que me agrade e que me remeta a alguma história, não obrigatoriamente, será escrita aqui. Não pretendo seguir formas, métodos de harmonização ou manter algum estilo de culinária.
Espero que, se algum desavisado visitar o site, deixe um comentário ajudando a montar ou melhorar a receita.
Para começar, ou inaugurar essa coluna, vou passar a receita de um prato que aprendi em casa. Conheço muitas variações desse prato, porém vou escrever aqui a que eu aprendi observando meu querido pai e meu não menos querido, tio. Chama-se "arroz carreteiro", e será "preparado" à moda sulmatogrossense.
Arroz Carreteiro.
Ingredientes:
Arroz (!)
Carne seca (charque, carne de sol etc)
alho
cebola
tomate
coloral (urucun)
cheiro verde
pimenta de cheiro
Obs.: Para cada copo de arroz, dois copos de carne seca. Vou usar como medida, 4 copos de arroz.
Modo de preparo:
Lave o arroz rapidamente, apenas para tirar a poeira e deixe secando sobre a pia (ou sobre onde preferir).
Corte a carne seca em pequenos cubos (prefira os cortes menos gordurosos).
Pique uma cabeça de alho (ou 4 colheres de alho picado). O alho picado na hora é bem mais saboroso mas podem reclamar do cheiro na sua mão.
Corte em pedaços bem pequenos, 3 cebolas médias.
Corte 4 tomates (dê preferência ao rasteiro/caipira que é muito mais saboroso) em cubinhos pequenos, sem decascar nem nada.
Pique um maço de cheiro-verde e reserve.
Em uma panela grande, de preferência de alumínio pesado, grosso, ou de ferro, coloque um fio de óleo de sua preferência (milho, soja, girassol...) e frite a carne seca, que irá soltar mais óleo de sua gordura. Frite bem até ficar dourada e consistente. Jogue dois copos de água para "lavar" o sal da carne e escorra fora essa água. Coloque um pouco mais de óleo e frite agora o alho e a cebola. Quando começar a dourar, jogue novamente a carne já frita e deixe-a fritar por mais algum tempo, até perceber que está dourada novamente mas sem que o alho fique torrado (se torrar, já era, vai amargar o prato).
Adicione o arroz e misture bem. Se perceber que falta óleo (acho difícil), acrescente um pouco mais. Frite o arroz até conseguir dourar levemente. Coloque o tomate, a pimenta e o coloral na mistura e mexa até homogenizar. Vá acrescentando água aos poucos e depois de cobrir o arroz com água, mexa mais um pouco e tampe a panela. Fique observando até que a água seja absorvida e cuide para não secar demais e queimar.
Sirva em generosas porções, de preferência acompanhado de bons amigos.
Essa receita me lembra uma ocasião muito bacana.
Meu amigo Véio (o pai da Gabi) ia receber um casal de amigos vindos da Holanda e queria preparar um almoço de domingo "inesquecível" para eles. Naquela época ele morava em uma casa com um grande quintal na frente da casa, onde ele construiu uma "cozinha caipira" com direito a fogão de lenha e tudo o mais. Pois bem. Convocado a organizar a orgia, digo, o almoço, resolvi fazer um arroz carreteiro e um feijão com surpresa (outro dia coloco a receita), acompanhado de grandes bifes de alcatra, fritos na chapa.
O evento começou perto do meio dia e só foi terminar já de madrugada.
Os "gringos" se perderam na comida e o que era só um almoço transformou-se em um ciclo de refeições. Ficamos ali por horas, comendo, conversando, bebendo. O arroz e feijão ficaram no fogão a lenha com brasa bem baixinha, mas que os mantiveram aquecidos e emanando cheiro o dia todo. Um balde de café foi preparado e consumido durante aquela tarde/noite, outros tantos baldes de conversa foram "jogados fora" em um delicioso carnaval que já vai distante.
Muito bom...
Para relembrar essa ocasião, abro um singelo, porém honesto, cabernet sauvignon sul americano, e ouço suavemente Herbie Hancok com seu Watermelon Man. Ele no piano, Freddie Hubbard no trumpete, Tony Willians na bateria e Ron Carter o Baixo....saboroso....
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
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3 comentários:
êta, que esse texto tá gostoso de ler!
parabéns, teu blog é uma delícia. dá pra imaginar cada vinho aberto(e como dá!)e vontade de ouvir as canções... Viva! Cátia
Boas memórias...
Bons tempos...
Legal, Primo!!!
Boas memórias, Primo!!!
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