segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Astrologia, ciência ou charlatanismo místico?

Alguns dicionários definem astrologia como "advinhação através dos astros, por meio desses. Outros, como uma ciência da observação e da sincronicidade (que viria a ser a concordância entre um fenômeno ocorrido nos astros e um respectivo, na terra.).

A astrologia nasceu na antiguidade observando-se os ciclos estacionários, ou seja, as quatro estações. Os movimentos dos astros e planetas foram determinantes para distinguir as estações tais como elas são hoje.
Origina-se no Egito as primeiras cartas estelares, por volta de 4.000 AC. e através dos séculos muitos foram os estudiosos que utilizaram os princípios egípcios em seus estudos.
Originalmente, não há muitos meios de distinguir o surgimento da astrologia da astronomia. Há inclusive quem defenda que foram a mesma coisa através dos séculos, só separando-se já sob influência religiosa papal.
Grandes filósofos, matemáticos (Copérnico, Galileu, Kepler e Newton, só pra citar alguns) foram astrólogos/astrônomos. Na idade média os astólogos foram chamados de matamáticos, já que a astrologia era vista como parte do estudo matemático, tendo influenciado inclusive a medicina medieval.
A cisão ocorreu em um momento particularmente importante na história, o Renascimento. O movimento renascentista acabou por dividir as duas, ou, na visão de alguns, a criar um segundo, com o intuito de banalizar o estudo sincrônico.
A influência da Igreja nesse período teve suas consequências, Dante Alighieri, em "A Divina Comédia", expõe ao ridículo alguns conhecidos astrólogos, como por exemplo Guido Bonatti (autor de "Liber Astronomiae" de 1277,obra indispensável para o estudo astrológico), principalmente pela prática de estudos astrológicos associados a necromancia (Dante leva Bonatti ao Inferno e o expõe ao ridículo). O tempo porém, viria mostrar que era possível separar o joio do trigo e que grandes pensadores da época usaram a astrologia como um de seus subsídios.
Somente no final do século XIX e início do século XX a astrologia novamente é levada a sério e estudada como ciência. Muito, por causa da vertente oriental que trouxe nova ótica ao estudo, principalmente com a inserção da teosofia e seus fundamentos.
Já no século XX a psicologia passa a ser parte integrante e importante do estudo astrológico, especialmente pelo filósofo Carl G. Jung, responsável por dar um tom menos advinhativo ou previsivo e mais psicológico, tendo como meta um conhecimento do Ser/indivíduo e a influência dos astros nos mesmos.
A nova cara da astrologia vinha portanto, por fim ao misticismo que outrora envolveu o estudo. Outros filósofos e pensadores aprofundaram-se em conceitos históricos e antigas teorias voltaram a ser estudadas, tais como o Holomovimento (de Bohm), os campos morfogenéticos (de Sheldrake) entre outras.
O fato é que nessa busca incansável de conhecer o ser humano na sua mais complexa individualidade, faz da astrologia séria, um instrumento agregador que serve de auxílio no entendimento da personalidade humana.
Atualmente, executivos, comerciantes, empresários e até empresas, lançam mão da astrologia para planejar e programar passos importantes de suas vidas. Se levada a sério, pode ser uma ferramenta útil na sobrevivência e no autoconhecimento.

Para a leitura de meu mapa astral, escolho um Malbec de Mendoza e coloco pra tocar "A Night in Tunisia" com Dizzy Gillespie no trumpete, Ray Brown no contrabaixo, Milt Jackson no vibrafone, John Lewis no piano, e Kenny Clarke na bateria....

Nenhum comentário: