terça-feira, 24 de abril de 2007

O Nosso

Tenho andado sumido desse pequeno mas prazeroso espaço que a web me proporciona.
Coisas do dia-a-dia, da correria da cidade grande e da nova paternidade (muito mais pelo lado psicológico que pelo lado prático).
Ontem, tomando café com um amigo e estávamos falando na importância do "nosso" na vida cotidiana.
Temos, muitas vezes, a estranha mania de desvalorizarmos o que é "nosso" ou então de valorizarmos mais o dos "outros" - diz-se que a grama do vizinho é sempre mais vistosa.
Acredito que essa é uma época difícil em que os povos a cada dia mais, estão em busca apenas do material e com isso passam a valorizar mais o que "outros" têm e não o que eles mesmos.
O "nosso" deverá sempre ser o melhor. Guardadas as proporções e razões de auto-crítica, onde podemos melhorar nossa conduta, devemos valorizar os nossos amigos, entes queridos, valores, princípios, história e estórias, criação e educação, infância etc. Não podemos simplesmente desprezar essas coisas, tão valiosas que são nas nossas vidas. Não podemos nos esquecer das conversas simples, sérias ou descontraídas com nossos pais. Os primeiros namorinhos, a primeira briga, a primeira e a última nota baixa na escola. Tão pouco devemos esquecer os conselhos de amigos que abrem mão de seu próprio tempo para sentar e nos ouvir e só então nos dizerem algo para nosso bem, mesmo que muitas vezes não queiramos ouvir nada, apenas dizer e dizer. Mas, são palavras importantes as que nos dizem, pois são para nosso bem.
Como jogar fora aqueles momentos tão raros e simples com "nossos" avós? Não podemos abrir mão disso por simples capricho e desejo de consumir algo que o cidadão da frente têm e nós não.
Por que? Pra que? Nada é mais nosso do que os momentos, creio aliás ser a única coisa realmente nossa. Então, não devíamos simplesmente achar que o cara com o carrão bacana e o apartamento mais vistoso que o nosso tenha uma vida mais simples e feliz, tão pouco mais fácil que a nossa, até porque não é a NOSSA vida.
Infelizmente o "nosso" tem perdido espaço para os "meus", "seus" etc.
Ainda tenho esperança em ter uma vida onde "nossos" momentos, em união e companhia das pessoas do "nosso" querido convívio. Espero que "nossos" filhos possam entender que isso é importante um dia.
Mas, enquanto escrevo isso, provavelmente algum batalhão das forças armadas do Sr.da Guerra esteja invadindo algum bairro ou cidade de um país que julga ser "DELE" e matando pessoas. Ceifando, tirando-lhes aquilo que era só "deles" e não DELE. Ou então, em SEU território, algum estudante desequilibrado e infernizado com a esquizofrênica incoerência e contradição dos atos com as palavras daquele governo, mata algumas dezenas de colegas e se mata sem deixar explicação...mas não há explicação...infelizmente.

Não abro nenhum vinho hoje, tão pouco coloco música alguma, não tem clima.

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