Hoje, 2 de abril ela faria aniversário. 27 aninhos.
Eu, que a vi chegar em casa recém nascida.O cabelinho espetado, avermelhado. A vi chorar brava e forte, provavelmente com fome, faminta que era desde sempre. Faminta que sempre foi pela vida. Pelas coisas boas e simples dessa vida. Tinha fome de amigos, de convívio com os que amava. Fome de viver! E como viveu bem essa menina.
Uma rápida lembrança e a imagem que me vem em mente é o de sua casa cheia. Amigos e amigas felizes, cantando, brincando, jogando, se divertindo enfim.
A simplicidade era sua marca. Um convite inesperado para sair e ela em 2 minutos estava pronta. Não se importava com grandes marcas ou aparências fúteis. O importante era ir e estar perto de quem amava.
Me lembro de nossa última conversa naquela fatídica tarde de setembro. Ele me mostrara o tênis novo que havia comprado por 1/3 do preço e comentou que tinha comprado um rosa para a Ná. Dei risada da maneira simples e bacana que ela me contou aquilo. Havíamos passado parte da tarde juntos, ela aguardava a liberação do plano de saúde para poder fazer a intervenção. Era apenas uma pedra no rim. Um "peso" que ela carregava havia alguns anos. Dores e intervenções ultrasonográficas e outras do tipo não foram o suficiente para tirá-la do sério ou arrancar seu humor. Naquela tarde caminhamos abraçados por uma galeria velha no centro de São Paulo aguardando a tal liberação. Caminhamos devagar observando as vitrines antigas e conversando sobre seu namorado. "Ele não tem tempo quente..." me dizia ela apaixonada. "Faz cada rolo, que vc nem imagina..." contou-me com um brilho no olhar.
Lembro-me de beijar seu rosto e despedir-me dizendo que mais tarde, depois do trabalho eu passaria ali para ver como tinha ido e para levar um jantarzinho pra elas (minha mãe e minha tia a acompanhavam). Ela disse que estava bem, pegou seu travesseiro, deu risada de uma transeunte engraçada que passou a frente do carro, me deu um beijo e saiu. Eu nunca mais falaria com ela outra vez.
Aqueles dias foram os mais insólitos de minha vida. Jamais imaginei sofrer um impacto tão forte e triste como perdê-la. Não me parecia natural ou certo. Pessoas nascem e se vão, eu sei, mas não daquela maneira. Uma fatalidade.
Mas como estou falando de Jojô, não há que ter espaço para tristeza. Tenho que celebrar o tempo que tive a honra de conviver com essa figura tão ímpar e bela.
Foram 26 anos de irmandade. Era minha amiga, minha prima e irmã. Demos muitas risadas juntos, tocamos violão, cantamos, fomos pra praia, viajamos juntos e compartilhamos de momentos sempre inesquecíveis.
Hoje continua sendo seu aniversário. Não mais posso abraçá-la ou telefonar e dizer "feliz aniversário linda". Mas posso e vou continuar desejando-lhe felicidade e paz, esteja ela aonde estiver, e certamente ela está em melhor lugar. Acredito que sua presença permanecerá por aqui pra sempre. Pessoas como a Jô não desaparecem, mesmo que seu corpo físico teime em sumir. Mas posso sentí-la por perto, com aquele jeitinho simples, meigo, decidido e lindo de ser.
Parabéns Jô. Muita paz e felicidade pra vc minha linda, esteja aonde estiver, que Deus lhe abençõe.
Abrou uma garrafa de Antonin Guyon Pinot Noir 2004, para degustar relembrando os ótimos momentos vividos com minha querida Jô. Coloco pra tocar o Kind Of Blue inteiro. Miles Davis no trumpete, Bill Evans no piano, Coltrane no sax tenor, Ardeley no Sax alto, Chambers no baixo e Billy Cobhan na bateria
segunda-feira, 2 de abril de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário