sexta-feira, 20 de junho de 2008

Sem tempo...

Sem tempo...sem tempo...
Pareço aquele coelhinho do país das maravilhas que quando encontrava Alice dizia estar atrasado...
Eu ando assim ultimamente....
Mas, sei lá, acho que tenho tanto tempo pra fazer as coisas...Só que quando vou ver, já era, já foi, não sobrou tempo algum e já estou quase me atrasando para o próximo passo.
Que tempo maluco é esse que vivemos. Acho que alguém acelerou a rotação da Terra e os dias estão mais rápidos, não é possível.
Amanhã minha pequena Luiza (terá um post especial para isso) faz dois anos!!! Mas como? Ela era um bebê até antes de ontem!
Agora mesmo, já passa das onze e parece que eu acabei de levantar. Só que já faz mais de 4 horas...
Sei não, acho que tem algo errado.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Fim do Mundo

Acho que não vou ler ou ouvir mais jornais.
Não sei o que há de bom nas notícias de hoje. Talvez o faça de maneira gradual. Vá me alienando aos poucos. Primeiro excluo os cadernos de política, cotidiano e o primeiro caderno, além do de esportes, claro. Fico só com o de variedades, cultura e ciência. Depois vou excluindo-os até ficar só com as tiras do Calvin.
Tem muita notícia repetida, ruim, péssima eu diria, e além de tudo, mal escrita.
Pai que joga a filha pela janela (ok, ok. Não se sabe ao certo se foi ele ainda. Mas, só o fato de algo assim ser possível - e até provável no caso - já é um fato trágico). Pai que violenta repetidamente, por 24 anos a filha e a mantêm como se fora um animal de laboratório. Eu fico me perguntando como os vizinhos nunca repararam em nada. E a esposa, e os outros filhos? Criança é tão curiosa...Acho que o cúmulo do desinteresse humano se demonstra nesse repugnante episódio.
Isso pra falar só de dois casos recentes que pipocam nas páginas dos jornais. Não vou nem me esforçar muito pra lembrar da missionária assassinada, das bombas do Oriente Médio, dos reféns na amazônia colombiana ou de chacinas paulistanas semanais.
Essa banalização do ódio ao próximo, da indiferença, da falta de respeito as crianças vem gerando, lenta e silenciosamente, uma geração de desalmados. Acostumados a ver e ouvir barbaridades. Histórias que na minha infância seriam proibidas de serem contadas em público e que dificilmente seriam levadas a sério tamanha a brutalidade dos fatos.
Talvez alienar-me não vá mudar em nada a rotina desse fim de mundo que vivemos. Mas pode ser que me permita ser um pouco mais doce, amável, tolerante e sensível ao próximo e possibilitando assim passar para minhas filhas uma idéia - ou ideal - de que o mundo pode ser um local bacana de se viver. Um local que ainda pode ter praças e calçadas para brincar. Se não, se não for possível, é melhor fecharmos as portas, pagarmos a conta e apagar as luzes pois estaremos nas trevas nesse momento.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Campanha "faça-me o favor..."

Do site do amigo João Acuio, uma campanha que precisa ir pras ruas...

http://jornale.com.br/acuio/2008/05/05/faca-me-o-favor-prefeito/

Simplicidade Voluntária

No início dos anos 80 Duane Elgin escreveu o livro que leva o título desse artigo.
Simplicidade Voluntária.
A idéia é simples. Inverter o conceito de tempo é dinheiro e de que consumo é satisfação.
Ao contrário do que se pode imaginar, não é uma pregação do anti-consumismo ou de vida comunitária tão presente nos anos 60/70. Tampouco alinha o conceito de vida simples com pobreza, já que esta última dificilmente é voluntária. O conceito é exatamente contrário a isso tudo. Precisamos aprender a gostar mais do que temos e DOS que temos.
Conviver mais e melhor com familiares e amigos queridos é um bem muito caro e custa muito, entretanto não enxergamos isso como um investimento, uma poupança ou um objetivo.
Na minha opinião nós, seres humanos ocidentais, negamos a morte. A nossa morte.
Aceitamos a morte alheia. Podemos sofrer com a perda de um ente, ou simplesmente ficarmos aliviados quando um maníaco se vai. Mas nunca, ou quase nunca, agimos como se pudéssemos morrer a qualquer momento. Ao contrário, planejamos vidas longas, programadas a miúde, mesmo sem a menor indicação de que viveremos todo o tempo do projeto.
Não acredito em anarquia ou desapego total a vida. Isso pra mim é inconsequência e falta de amor a tudo, a si e ao próximo.
Acredito sim em uma mudança grande de paradigmas. Vivermos conscientes de que morreremos um dia, mas sem pensar na morte ou sem carregar sua sombra. Vivermos com mais ousadia, mais humor e mais carinho pela própria vida.
Eu, particularmente, gostaria de viver 100 anos pelo menos. Acho bacana essa marca. 100 anos! Deve ser emocionante viver tanto tempo e poder bater no peito e dizer: "Tenho 100 anos" (tá, bater de leve pra não engasgar).
Entretanto, assim como a imensa maioria, eu tbm não tenho vivido com essa consciência toda. Ao contrário, tenho me pautado muito mais na pré-condição de que vou viver do que irei certamente morrer. Por isso aprovo essas mudanças de hábitos.
Olhar mais e melhor os filhos, a companhia, a volta. Observar o olhar de nossos pais e ver como nos olham. Agradecer mais pelas coisas boas que temos. Essas poucas coisas me têm agradado muito nos útlimos tempos.
Penso até em abrir uma garrafa de vinho hoje para degustar uma taça ao lado de minha amada. Acho que é um bom dia pra isso. Mesmo com o trânsito, a política e o Jornal Nacional....

Revendo os Conceitos

Quanto mais o tempo passa, mais eu percebo que a maioria, se não todos, dos meus conceitos precisam ser revistos.
A vida é muito mais simples do que imaginamos e muito melhor do que esse labirinto que nos metemos como se foramos Teseus sem uma Ariadne para nos socorrer.
Pra que complicar? É o que me pergunto.
Contruímos casas pensando no que as visitas vão pensar.
Compramos carros, roupas, aparelhos eletrônicos etc. para nos sentir incluídos em um meio que não é, ao meu ver, humano.
Quando olho para minhas filhas, pequeninas e indefesas, e as percebo com uma alegria e brilho no olhar pelo simples fato de eu estar ali brincando com elas, noto que muita coisa está errada e que algumas estão certas.
Sei que mais importante do que a bela casa planejada, está uma casa aconchegante para curtir minhas filhotas e alguns poucos (e únicos) amigos queridos.
Uma mesa farta é muito mais bonita do que um belo e caríssimo prato em um restaurante de moda ou de grife.
Dormir abraçadinho; Tomar café junto; Jogar canastra no domingo a tarde; Parar para olhar o céu e a natureza é muito mais gratificante que adquirir um terno novo ou uma nova televisão.
Viajar para conhecer novos lugares é muito, mas muito melhor do que se hospedar em um hotel de Park Avenue. Uma viajem a uma cidade do interior para conhecer suas histórias é mais valiosa do que uma viagem de turismo para um país europeu que se conhece de dentro de um ônibus e apressadamente...
Como diria meu saudoso e amado avô, "Bacalhau é ótimo, mas prefiro meu arroz, feijão, bife e batatas fritas que sua avó faz..."

Fica ai um trecho de um ótimo livro de alguém que certamente sabe o que estou dizendo.

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. Não há como não admirar um homem – Cousteau, ao comentar o sucesso do seu primeiro grande filme: “Não adianta, não serve para nada, é preciso ir ver.” Il faut aller voir. Pura verdade, o mundo na TV é lindo, mas serve para pouca coisa. É preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo.”

Amyr Klink - “Mar sem Fim”
"

Boa semana a todos

sábado, 19 de abril de 2008

Tentativa

- Olá Blog.
- Olá caro dono.
- Quanto tempo não?
- Sim, muito tempo mesmo. Pensava esquecido...
- Eu andei meio distante, mas pretendo voltar.
- Hum.
- É, eu sei. Não confias mais nesse seu subscritor.
- Pois é.
- Mas, prometo, vou tentar escrever mais, te trazer mais vida, mais notas, mais novas.
- Eu me contento com algumas antigas até.
- Não fala assim. Eu sei, andei distante, errante, errei abandonar-te assim, mas peço-lhe uma nova oportunidade.
- Vou pensar.
- Pense com carinho.
- Pode ser.
- É um bom começo.
- Bem, escreve alguma coisa ai pra eu me animar então.
- Hum...escrever o que hein...difícil isso.
- Sei lá, qualquer coisa.
- Qualquer coisa.
- ...
- Ta bem, ta bem. Vou pensar em algo para escrever.
- Acho bom.
- "Podexá".
- Vou esperar, sentado, mas vou.
-...

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Funesto

Antônio em tudo aparentava ser uma pessoa como outra qualquer...
Trabalhador sério e comprometido, fazia relativo sucesso profissional e familiar. Não era um homem rico mas tinha uma vida confortável e podia se dar alguns luxos.
Pai amável e bom marido, nunca se queixou de sua vida.
Uma noite porém o telefone tocou. Eram quase 3 horas da madrugada...
Fatos estranhos tiveram início após essa noite...Como eu disse, Antônio era uma pessoa como outra qualquer em tudo? ...Em tudo não, quase tudo...

"..alô - a voz de sono da Marieta acordou Antônio, que não tinha escutado o trilintar do telefone.
- O Antônio, por favor.
- Ton, é pra vc...(mas a essa hora?) disse ela abafando o aparelho.
- Alô...Hã, sim, sei...está bem, estou indo...Disse Antônio, devolvendo o telefone para sua esposa e sentando-se na cama.
- Mas você vai aonde a essa hora homem de Deus? Quem era ?
Mas Antônio não chegou a responder direito, apenas balbuciou algumas palavras e caminhou para o banheiro.
Atônita, Marieta levantou-se e ficou de prontidão na porta. Quando Antônio saiu ela o segurou pelo braço.
- Não vou deixar você sair assim. Onde já se viu, sair no meio da noite sem mais nem menos.
Antônio sorriu para a esposa e indicou a cama. Ela sentou-se aguardando alguma explicação mas, para sua surpresa, observou seu companheiro sair do quarto e fechar a porta atrás de si. Quando chegou na sala só teve tempo de observar pela janela o vulto de Antônio passando ao largo.
A noite era agradável, apesar de ser mês de agosto não fazia frio. Não havia nuvens no céu e por entre os edifícios, postes e árvores era possível observar a lua, quase Nova fazendo um pequeno semi-círculo bem fino no negro azul da madrugada.
Carros eram poucos, mas ainda existiam. Algumas pessoas caminhavam soturnamente pelas calçadas. Bêbados, ladrões e vagabundos se esquivavam pelas sombras. Cachorros viravam latas a procura da refeição diária, alguns tinham que dividí-las com os mendigos e habitantes da noite. O centro da grande metrópole a noite era assim, sombrio. Bastante diferente da agitação e algazarra do dia e muito distante do charme dos bairros e jardins mais abastados. Postes de luz amarela lembravam que aquele local era como um velório quase vazio. O que antes era vida e movimento, agora era silêncio e solidão.
Antônio apagou os faróis do carro e lentamente foi estacionando junto a calçada. Pelo vidro lateral pode observar a luz acesa da janela na sobreloja. Nenhum movimento lá dentro porém. Cuidadosamente, fechou e travou a porta. Lendo um pequeno papel olhou mais uma vez para a janela e se certificou de que era esse mesmo o local.
Não precisou tocar a campanhia nem bater a porta, pois essa encontrava-se semi enconstada.
Uma longa e inclinada escada de alvenaria pairava a frente de Antônio. Na parte de cima um vulto cresceu e junto a escada permaneceu. Após um instante de observação, um sinal com a mão indicava que Antônio deveria subir.
Sem pressa ele subiu. Sua expressão não demonstrava medo nem hesitação, mas uma serenidade incompatível com a situação.
A sobreloja era um ambiente grande e dividido em quatro cômodos. No primeiro havia dois sofás de couro preto e uma mesa triangular no centro. Embaixo da janela um aparador servia de descanso a um velho aparelho telefônico. Do lado oposto, um corredor levava aos demais. No final haveria um lavatório e bem no centro do corredor duas portas se opunham. Do lado direito havia uma cozinha com uma geladeira e uma pia ao lado. Na parede embaixo do vão que dava para o miolo do prédio, ficava uma mesa de fórmica.
Antônio parou em frente a porta da cozinha, costas para esta e olhou para o maior ambiente do lugar.
Era uma sala grande com piso em assoalho encerado. Cadeiras estavam encostadas na parede e um grande balcão estava estacionado do lado oposto da porta. Alguns quadros com retratos humanos estavam pendurados na parede, sobre o balcão. Do lado esquerdo um pequeno vitrô era o único contato com o mundo externo.
No centro da grande sala havia um sofá branco e um preto, cada um em uma extremidade de uma mesa com maciços pés de madeira e um pesado tampo de granito preto. Tão pesado era a pedra que não parecia ser esforço algum sustentar a caixa de cedro envernizada. Jazia sobre a mesa um corpo, zelosamente arrumado dentro do caixão. Na cabeceira, apenas um ramo de oliveira e nos pés um pequeno castiçal erguia uma vela ainda apagada e intacta.
Antônio viu o sinal do anfitrião para que se aproximasse.
Em passos firmes e largos, se dirigiu a mesa....

...continua...