segunda-feira, 5 de maio de 2008

Revendo os Conceitos

Quanto mais o tempo passa, mais eu percebo que a maioria, se não todos, dos meus conceitos precisam ser revistos.
A vida é muito mais simples do que imaginamos e muito melhor do que esse labirinto que nos metemos como se foramos Teseus sem uma Ariadne para nos socorrer.
Pra que complicar? É o que me pergunto.
Contruímos casas pensando no que as visitas vão pensar.
Compramos carros, roupas, aparelhos eletrônicos etc. para nos sentir incluídos em um meio que não é, ao meu ver, humano.
Quando olho para minhas filhas, pequeninas e indefesas, e as percebo com uma alegria e brilho no olhar pelo simples fato de eu estar ali brincando com elas, noto que muita coisa está errada e que algumas estão certas.
Sei que mais importante do que a bela casa planejada, está uma casa aconchegante para curtir minhas filhotas e alguns poucos (e únicos) amigos queridos.
Uma mesa farta é muito mais bonita do que um belo e caríssimo prato em um restaurante de moda ou de grife.
Dormir abraçadinho; Tomar café junto; Jogar canastra no domingo a tarde; Parar para olhar o céu e a natureza é muito mais gratificante que adquirir um terno novo ou uma nova televisão.
Viajar para conhecer novos lugares é muito, mas muito melhor do que se hospedar em um hotel de Park Avenue. Uma viajem a uma cidade do interior para conhecer suas histórias é mais valiosa do que uma viagem de turismo para um país europeu que se conhece de dentro de um ônibus e apressadamente...
Como diria meu saudoso e amado avô, "Bacalhau é ótimo, mas prefiro meu arroz, feijão, bife e batatas fritas que sua avó faz..."

Fica ai um trecho de um ótimo livro de alguém que certamente sabe o que estou dizendo.

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. Não há como não admirar um homem – Cousteau, ao comentar o sucesso do seu primeiro grande filme: “Não adianta, não serve para nada, é preciso ir ver.” Il faut aller voir. Pura verdade, o mundo na TV é lindo, mas serve para pouca coisa. É preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo.”

Amyr Klink - “Mar sem Fim”
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Boa semana a todos

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