Acho que não vou ler ou ouvir mais jornais.
Não sei o que há de bom nas notícias de hoje. Talvez o faça de maneira gradual. Vá me alienando aos poucos. Primeiro excluo os cadernos de política, cotidiano e o primeiro caderno, além do de esportes, claro. Fico só com o de variedades, cultura e ciência. Depois vou excluindo-os até ficar só com as tiras do Calvin.
Tem muita notícia repetida, ruim, péssima eu diria, e além de tudo, mal escrita.
Pai que joga a filha pela janela (ok, ok. Não se sabe ao certo se foi ele ainda. Mas, só o fato de algo assim ser possível - e até provável no caso - já é um fato trágico). Pai que violenta repetidamente, por 24 anos a filha e a mantêm como se fora um animal de laboratório. Eu fico me perguntando como os vizinhos nunca repararam em nada. E a esposa, e os outros filhos? Criança é tão curiosa...Acho que o cúmulo do desinteresse humano se demonstra nesse repugnante episódio.
Isso pra falar só de dois casos recentes que pipocam nas páginas dos jornais. Não vou nem me esforçar muito pra lembrar da missionária assassinada, das bombas do Oriente Médio, dos reféns na amazônia colombiana ou de chacinas paulistanas semanais.
Essa banalização do ódio ao próximo, da indiferença, da falta de respeito as crianças vem gerando, lenta e silenciosamente, uma geração de desalmados. Acostumados a ver e ouvir barbaridades. Histórias que na minha infância seriam proibidas de serem contadas em público e que dificilmente seriam levadas a sério tamanha a brutalidade dos fatos.
Talvez alienar-me não vá mudar em nada a rotina desse fim de mundo que vivemos. Mas pode ser que me permita ser um pouco mais doce, amável, tolerante e sensível ao próximo e possibilitando assim passar para minhas filhas uma idéia - ou ideal - de que o mundo pode ser um local bacana de se viver. Um local que ainda pode ter praças e calçadas para brincar. Se não, se não for possível, é melhor fecharmos as portas, pagarmos a conta e apagar as luzes pois estaremos nas trevas nesse momento.
terça-feira, 6 de maio de 2008
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