segunda-feira, 5 de maio de 2008

Simplicidade Voluntária

No início dos anos 80 Duane Elgin escreveu o livro que leva o título desse artigo.
Simplicidade Voluntária.
A idéia é simples. Inverter o conceito de tempo é dinheiro e de que consumo é satisfação.
Ao contrário do que se pode imaginar, não é uma pregação do anti-consumismo ou de vida comunitária tão presente nos anos 60/70. Tampouco alinha o conceito de vida simples com pobreza, já que esta última dificilmente é voluntária. O conceito é exatamente contrário a isso tudo. Precisamos aprender a gostar mais do que temos e DOS que temos.
Conviver mais e melhor com familiares e amigos queridos é um bem muito caro e custa muito, entretanto não enxergamos isso como um investimento, uma poupança ou um objetivo.
Na minha opinião nós, seres humanos ocidentais, negamos a morte. A nossa morte.
Aceitamos a morte alheia. Podemos sofrer com a perda de um ente, ou simplesmente ficarmos aliviados quando um maníaco se vai. Mas nunca, ou quase nunca, agimos como se pudéssemos morrer a qualquer momento. Ao contrário, planejamos vidas longas, programadas a miúde, mesmo sem a menor indicação de que viveremos todo o tempo do projeto.
Não acredito em anarquia ou desapego total a vida. Isso pra mim é inconsequência e falta de amor a tudo, a si e ao próximo.
Acredito sim em uma mudança grande de paradigmas. Vivermos conscientes de que morreremos um dia, mas sem pensar na morte ou sem carregar sua sombra. Vivermos com mais ousadia, mais humor e mais carinho pela própria vida.
Eu, particularmente, gostaria de viver 100 anos pelo menos. Acho bacana essa marca. 100 anos! Deve ser emocionante viver tanto tempo e poder bater no peito e dizer: "Tenho 100 anos" (tá, bater de leve pra não engasgar).
Entretanto, assim como a imensa maioria, eu tbm não tenho vivido com essa consciência toda. Ao contrário, tenho me pautado muito mais na pré-condição de que vou viver do que irei certamente morrer. Por isso aprovo essas mudanças de hábitos.
Olhar mais e melhor os filhos, a companhia, a volta. Observar o olhar de nossos pais e ver como nos olham. Agradecer mais pelas coisas boas que temos. Essas poucas coisas me têm agradado muito nos útlimos tempos.
Penso até em abrir uma garrafa de vinho hoje para degustar uma taça ao lado de minha amada. Acho que é um bom dia pra isso. Mesmo com o trânsito, a política e o Jornal Nacional....

Nenhum comentário: